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Vamos Reunir ?

September 16th, 2006

Ainda dentro da mesma linha. As reuniões, essa infindável fonte de matéria prima para tiras do Dilbert, são a prova provada de que as organizações empresariais modernas não funcionam e que estão erradas. E não, não preciso de ter um MBA em gestão empresarial para ter legitimidade para dizer isto, a minha experiência profissional basta-me. As pessoas “reúnem-se” em exagero porque naturalmente, deixando a cultura corporativa fazer o seu trabalho, as soluções não aparecem. Se as soluções aparecessem de livre e espontânea vontade as pessoas só se precisavam de reunir para abrir a garrafa de champanhe.

Dois factos que merecem reflexão:

1. Usando o princípio da máxima do Bruce Schnier sobre a segurança (“Security is only as strong as its weakest link”), quando mais do que duas pessoas se juntam o QI global é igual ou inferior ao menor dos QIs individuais.
2. Nas empresas, na guerra entre a percepção e a realidade, a percepção ganha sempre, é inquestionável! A percepção pode por vezes ser mais do que suficiente para não ter que pensar na realidade durante largos periodos de tempo, do ponto de vista de gestão é só vantagens. O problema é que, embora não exija tanta competência técnica, criar a percepção dá tanto ou mais trabalho do que criar a mesma realidade. E é por causa disso que a tua presença é tão importante naquela reunião.

Vamos Reunir ?

Portuguese, Tech stuff

  • [...] É 3ª feira e o meu calendário para esta semana é já oficialmente um queijo suíço, com layers. Não me marquem mais reuniões por favor. E eu sei que isto vai aparecer no clipping amanhã se eu meter a palavra SAPO no post. É como enviar um pombo correio entregar uma carta ao meu vizinho, quase tão inútil e divertido como isto. [...]
  • Agenda ? Claro. Mais de metade das vezes o tópico da agenda é "Ponto de situação de...". Que é o mesmo que dizer que não temos agenda. Que é o mesmo que dizer vamos reunir porque se não o fizermos ninguém sabe o que fazer.

    Depois há também aquela quantidade massiva de encontros cujo único objectivo, por mais camuflado que esteja em evelopes com discursos de productividade e de team-work, é o de vermos abrir a cauda de pavão do promotor.

    Há ainda as reuniões de "reporting". Eu adoro este termo, é tão lindo. Reporting é: diz-me o que já deveria saber antes de nos reunirmos, para informar o meu superior e para que todos saibam que sou eu que tenho essa função e mais ninguém.

    E depois claro, restam as que são verdadeiramente úteis, que também existem. Aquelas que realmente criam valor colectivo. As que nos dão prazer, mesmo que não sejamos o pavão.

    Sim, é suposto termos prazer no que fazemos! O resto deriva daí, cada vez mais, e ainda bem.
  • Mas as reuniões não têm uma agenda definida com antecedência indicando os tópicos em discussão, o tempo de duração e os outputs pretendidos de maneira a que os intervenientes possam levar tudo preparado e despachar a reunião num instante?
  • PL
    Uma das situações que também tenho observado prende-se com o formalismo de uma reunião, e com a inconformismo de quem se encontra para solucionar.

    Por um lado existe uma componente de inacessibilidade que é necessário criar para se poder fazer alguma coisa. A versão besta arrogante é a que funciona melhor, depois em termos de avaliação espera-se que olhem ao que foi feito e não às relações interpessoais.

    No outro lado da corda fica a criação de momentos de partilha de informação, tipicamente as conversas de café ou a discussão no water cooler.

    O apanhar á saída do gabinete é mesmo uma cena muito gay :D
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