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Sobre a atenção

July 28th, 2008

Não sou grande fã da Clara Ferreira Alves mas honra seja feita, e especialmente porque assumo pela leitura do seu texto que ela nem sequer é uma consumidora obcecada da Web, não conseguiria ter escrito melhor sobre este tema tão actual que é a “information overflow” (ou a crise da falta de atenção, prefiro eu) e as alterações sociais e de raciocínio que nos inflige, e de que poucos se apercebem. Chamou-lhe Spam Lusitano e inspirou-se (e refere-o) num artigo de Nicholas Carr de título “Is Google Making Us Stupid?“.

Claramente vivemos tempos de profundas mudanças de comportamento. A forma como consumimos informação, a nossa capacidade de discernimento e de focar a nossa atenção estão irreversivelmente alteradas, sobre isto não há dúvidas. Não diria para pior porque para qualificar a mudança é preciso esperar muito, mas há definitivamente benefícios que se perderam desde a era pre-web democrática. E a minha curiosidade, porque agora tenho filhos, é assistir (e aprender?) com as gerações que já nasceram formatadas.

Portuguese

  • JP
    Nos candidatos que entrevistamos no SAPO, costumamos terminar mais cedo as entrevistas quando respondem a uma qualquer pergunta de código com "Basta pesquisar no GOOGLE e fazer copy&paste.. do que encontrarmos"...

    Por outro lado, alguém que refira como perdeu uma noite inteira a resolver um problema da treta, batendo várias vezes com a cabeça na parede e como aprendeu algo de novo com a experiência,
    é quem estamos à procura. É um pouco como diz no artigo - "livros que só dão alguma coisa se o leitor der algo em troca" - a facilidade de informação é brutal para a resolução
    de problemas, mas sem as bases de trabalhar no duro ao longo de vários anos, é bem mais difícil aproveitar as benesses do novo mundo.

    Só a acrescentar, isto é um bocado como o artigo do Peter Norvig, ao contrário do "Teach yourself programming in 21 days", temos o "Teach yourserv programming in ten years" - http://www.norvig.com/21-days.html


    E como nota final, a própria investigação está a sofrer com a facilidade com que se encontram papers. De acordo com o artigo do Economist - http://www.economist.com/science/displaystory.cfm?story_id=11745514 - o facto dos cientistas já não perderem horas a lerem papers que provavelmente não têm nada a ver com o que estavam à procura, pode resultar em menos descobertas acidentais. "Experience is what you get when you didn't get what you wanted".
  • Completamente.

    A minha capacidade de concentracao/foco ruiu completamente nos ultimos poucos anos. E quer-me parecer que nao estou sozinho nisto.
  • Celso
    Certo, mas o problema da Web parece-me mais complexo ainda porque não é só o excesso de informação mas é também um tipo de informação de satisfação imediata. Vide Instant Messaging, Twitter, Blogs em geral.

    E é este "vício" pela satisfação imediata que pode dar origem a distúrbios relacionados com a nossa capacidade de nos conseguirmos concentrar, ou levar a cabo tarefas de fundo, ou no limite conseguir distinguir o importante do acessório.

    Não me parece que haja paralelo na história recente.
  • Miguel
    "information overflow" não é um conceito novo.
    Há registos do início do século passado com menções aos desafios para lidar com o problema do excesso de informação trazido pelos jornais e livros.

    A área da ciência da informação estuda estes assuntos.

    http://www.hno.harvard.edu/gazette/2003/02.13/0...
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