02 September 2008 ~ 24 Comments

Expresso, Google e a estupidez


Antes de ir de Férias, o Sr. Nelson Marques, Jornalista e colaborador do Expresso, pediu-me uma opinião sobre “um artigo sobre o Google (e, no fundo, a Internet) e a forma como ele tem alterado, por exemplo, a forma como lemos e percepcionamos esta informação.” a propósito de um recente “post” neste Blog. Acedi responder. Era uma tema “quente” e que me interessava e portanto gastei algum tempo com a resposta para que ficasse claro o meu ponto de vista. Este fim de semana comecei a receber SMSes de amigos por causa do meu nome ter aparecido associado a um artigo do Expresso intitulado “Está o Google a tornar-nos estúpidos?“. 

Antes de continuar quero também deixar claro que não conheço pessoalmente o Sr. Nelson Marques nem o seu trabalho e que portanto isto não é um juízo de valores nem uma crítica ao artigo. É apenas um esclarecimento feito com respeito.

A razão deste post não é porque eu ache o artigo é fraco. Isso não mereceria a minha atenção. Escrevo porque não posso deixar passar incólumes duas referências na história às quais directa ou indirectamente o meu nome está associado:

1.

Na edição em papel, o artigo é acompanhado com um ranking da ComScore sobre os sites em Portugal que coloca o Google em primeiro, o AEIOU em segundo e depois mais uns 4 ou 5 sites irrelevantes. O SAPO nem aparece no radar. Infelizmente não consegui fazer um scan do gráfico para reproduzir aqui.

Como é sabido eu tenho umas 100 T-shirts do SAPO ali no armário e portanto sim, sou suspeito e faccioso nesta questão. Mas bolas, não é preciso pesquisar nem saber muito de Internet para perceber que 1. A ComScore ainda não actua em Portugal. Faz umas coisas pela rama, em forma de estudos, muito dedo no ar, num contexto de Europa, e ninguém sabe como é que medem aquilo, mas certamente que não é nem com painel de utilizadores nem com dados fornecidos pelos sites. 2. O SAPO, por muito crítico ou enviesado que se seja, é inquestionavelmente o maior (de longe) projecto de Internet Português. 3. Goste-se ou não, questione-se a margem de erro, mas ficam aqui 3 serviços que espelham a razoavelmente bem a nossa realidade de audiências, um com painel (Netpanel), outro pela comunidade (Alexa) e o último por auditoria (Netscope).

O Expresso pertence ao grupo Impresa. O AEIOU também.

2.

Uma menos boa interpretação, ou pelo menos parcial, do que tentei explicar.  Quem ler o artigo só fica com duas ideias sobre mim: adultero os livros que leio e acho que a Internet só debita porcaria. E sou o CTO do SAPO.

Ora sendo eu quem sou, com o historial que tenho de mais de 13 anos a trabalhar com a Internet em Portugal e considerando-me, modéstia à parte, um evangelista daquilo que de melhor esta ferramenta nos deu e nos continuará a dar isto parece no mínimo um contra-senso.

A realidade é que o que escrevi fi-lo num contexto de discussão sobre a alteração de comportamentos das pessoas e de todo o tema da crescente falta de atenção e criteriosidade dos utilizadores e nada mais.

Não é para mim claro, nem o disse, que esta alteração de comportamento seja negativa para a sociedade ou para os utilizadores e longe de mim associar a maior invenção da minha geração à estupidez das pessoas. É apenas a constatação de que há uma mudança a acontecer e à qual assisto activamente com expectativa e excitação.

Portanto, reitero o respeito pelos autores mas não me identifico lá muito com a linha de pensamento do artigo supra citado nem com o respectivo enquadramento das minhas opiniões. Em baixo deixo o E-Mail que enviei ao Nelson Marques.


From: celso@sapo.pt
Subject: Re: ARTIGO EXPRESSO: Google e hábitos de leitura
Date: August 2, 2008 4:20:11 PM GMT+01:00
To: nelsonmarques@—–

Olá Nelson,

Começando do fim para o princípio, a Internet mudou definitivamente o nosso comportamento e os nossos hábitos, isso é visível até para o mais céptico ou desatento.

Eu, e julgo que qualquer pessoa que seja um utilizador intenso da Internet há tantos anos como eu sou, tenho mais dificuldade hoje em dia em ler um livro de ponta a pavio. Ou melhor, eu não tenho dificuldade em ler o livro, faço-o é de uma forma completamente diferente do que fazia há 5 ou 10 anos atrás, inconscientemente. Faço-a em busca da satisfação imediata, pulo capítulos ou partes desinteressantes, leio-o na diagonal, utilizo a história com um manual de referência, adultero-o. Ou seja não ofereço ao livro a atenção que ele merece, nem sequer lhe dou essa oportunidade. Não é que eu não queira, simplesmente deixei de ter os mesmo níveis de motivação para o fazer. Porque lá no fundo eu sei que o livro é comparavelmente ineficaz a recompensar-me pelo meu investimento, pelo menos no curto prazo. E o livro aqui é só a figura de tudo o que requere concentração, atenção e dedicação.

O problema da atenção, esse recurso altamente finito e precioso que os humanos têm, é na minha opinião mais grave do que a questão também actual do excesso de informação. Informação a mais não é um grande problema, houve periodos na história em que provavelmente lidámos com saltos quantitativos superiores ao que a Internet nos trouxe e safámos-nos bem, evoluímos para melhor. O problema é o tipo de informação que a Internet nos dá (e que os motores de busca privilegiam porque há um ecosistema natural de oferta e da procura igual a qualquer meio, por exemplo como a televisão), e que é em grande parte desinformação, efémere, trivial, sensacional, barata, é o fast-food dos conteúdos.

Mas os problemas surgem mesmo, como refere o artigo da CFA, quando o subconsciente toma conta do consciente e deixamos de ter critério. E é aqui que começamos a falar de estupidez, e é aqui nesta fase terminal que eu me preocupo (com expectativa, porque também acho que há muito de positivo) especialmente com as novas gerações de jovens utilizadores da Internet. Ou seja, quando um terramoto passa a ter o mesmo grau de importância que a saída de um jogador de futebol para outro clube.

Há outras questões relacionadas com o tema da atenção e do excesso de informação que merecem reflexão. O João Pedro com quem trabalho, deixou um comentário no meu post que fala sobre algumas:

Sobre os especialistas instantâneos, os grandes programadores feitos em 30 dias: http://www.norvig.com/21-days.html

Este artigo do economist é particularmente interessante porque fala de um efeito colateral que estas alterações de comportamento estão a fazer á comunidade cientifica. A extinção das grandes investigações, dos grandes estudos e dos trabalhos de fundo pode acabar também com as grandes descobertas acidentais. E as grandes invenções de todos os tempos foram acidentais. Ou melhor dito “Electronic searching means that no relevant paper is likely to go unread, but narrowing the definition of “relevance” risks reducing the cross-fertilisation of ideas that sometimes leads to big, unexpected advances. As a wag once put it, an expert is someone who knows more and more about less and less until, eventually, he knows everything about nothing.”

http://www.economist.com/science/displaystory.cfm?story_id=11745514

Mas não quero com isto dizer que a mudança seja negativa, sobre isso não tenho certezas. A Internet foi a maior descoberta da minha geração e eu acho que o seu maior potencial ainda está por revelar. A ruptura é sempre complicada, é preciso dar tempo ao tempo (também aqui) aos vários agentes da Internet, que também é um ser vivo, aos consumidores, aos produtores e aos organizadores. A visão da Web Semântica pretende também resolver em parte estes problemas, já agora: http://en.wikipedia.org/wiki/Semantic_Web

Espero ter ajudado. Boa sorte com o artigo.

Ab,
Celso.

  • MV

    O titulo do post devia ser: O Google, o Expresso e a estupidez…

    Dois comentarios:

    - um de solidariedade; cada vez há menos pachorra para aturar jornalistas mal (in)formados

    - outro para dizer q nao tenho pena nenhuma; o grupo PT tb sabe usar os meios de comunicação social para vender a sua banha

    – MV

  • http://www.danielbarradas.com Daniel Barradas

    Uma vez apareci na televisão. Lembro-me perfeitamente. Quando eu me estava a candidatar ao ensino superior, fizeram-me umas perguntas em relação às notas minimas de acesso. Isto no ano que as criaram e no ano em que disseram “bem .. vamos ignora-las porque se não ficamos com os cursos às moscas”. Das 15 frases que eu disse em resposta às perguntas apareceu apenas uma e totalmente fora do contexto das outras 14.

    Tinha 19 anos. Desde esse dia que percebi que os media fazem o que lhes apetece. As noticias são “compradas”/”feitas”/”inventadas” para “vender”/”satisfazer” asap on the spot. Se é verdade ou não, se é inventada ou não… é o que interessa menos.

    Um exemplo de falta de exactidão é mesmo as noticias de transferências desportivas. Nenhuma estação/jornal dá o mesmo valor. O que eu acho estranho porque os clubes até fazem os comunicados à cmvm.

    Eu, pessoalmente, não me lembro de alguma vez ter comprado um jornal. Mas vejo tanta gente a comprar o expresso que cheguei ao ponto de me questionar se realmente valerá a pena compra-lo … mas depois leio as noticias deles on-line, rio-me com os comentários tipo “como é possivel haver três erros nesta notícia?” e fecho-o.

    A minha questão para ti é: estavas à espera de outra coisa? do quê?

  • http://pchichorro.blogs.sapo.pt Chichas

    Um deixa-nos burros, o outro mata-nos os sites (http://www.techcrunch.com/2008/09/01/is-cuil-killing-websites/ )
    O sapo que malandrices faz?

  • http://blog.borgas.net/teknews Eduardo Luis

    Então e Google Insights?! Diz tudo!

    Link da pesquisa que mostra os 4 de Portugal.

    http://www.google.com/insights/search/#cat=&q=sapo.pt%2Caeiou.pt%2Cclix.pt%2Ciol.pt&geo=PT&date=&clp=&cmpt=q

  • Pedro Lopes

    O endereço de correio electrónico do jornalista devia ser escondido.

  • Celso

    True. My bad. Copy&paste.

  • Bruno Figueiredo

    Já fui entrevistado uma série de vezes pela Imprensa em Portugal e passei já várias vezes pela mesma experiência que tu. É dificil encontrar bons jornalistas em Portugal. A maioria das vezes fazem tudo à pressa e se não perceberam bem não querem perceber e não voltam a perguntar. Infelizmente isso leva a interpretações menos felizes como a que aconteceu contigo. Felizmente ainda há uns quantos jornalistas decentes e nem sempre isso acontece.

  • Nelson Marques

    Caro Celso Martinho

    Alguns comentários ao seu comentário:

    1) Os dados da ComScore valem o que valem. A fonte está lá bem citada para quem discordar dela e da sua metodologia. Dizem-me que, das três fontes que cita, apenas o Netpanel tem alguma validade. A pergunta que deixo, à qual confesso não saber a resposta, é se o Netpanel tem “rankings” de pesquisas efectuadas. Se sim, terei maior cuidado da próxima vez.

    2) A associação Expresso/Aeiou é insultuosa para mim enquanto jornalista independente. Por essa ordem de ideias, também devemos suspeitar dos seus comentários. Afinal, como o Celso bem sublinha, é CTO do Sapo.

    3) Quanto à segunda parte do seu argumento, deverá entender que as limitações de espaço nem sempre permitem a contextualização que seria exigível. Na impossibilidade de reproduzir a totalidade das suas afirmações, estas seriam sempre parciais. De qualquer forma, também não faço a leitura que o Celso faz das suas afirmações. Em lado algum se lê que o Celso só lê porcaria na Internet. O que disse é o que está citado no artigo. Se não era isso que pretendia dizer, já é outra questão.

    4) O título e o pós-titulo do artigo não são da minha responsabilidade. É-o o texto, na sua totalidade, onde explico como nasce esta questão/provocação e onde deixo bem claro que o Google é usado como exemplo. Quem quer que não tenha lido o texto na diagonal percebe isso. Todo o texto é construído na lógica da “discussão sobre a alteração de comportamentos das pessoas e de todo o tema da crescente falta de atenção e criteriosidade dos utilizadores e nada mais” que o Celso preconiza.

    5) “Não é para mim claro, nem o disse, que esta alteração de comportamento seja negativa para a sociedade ou para os utilizadores e longe de mim associar a maior invenção da minha geração à estupidez das pessoas”. Faço suas as minhas palavras. Em momento algum do texto escrevo que o Google ou a Internet nos torna mais estúpidos. Limito-me a lançar o debate e a reproduzir opiniões. Cada um faz o juizo que quiser.

    6) Acredite, Celso, que nada disto é pessoal. Também não o conheço, mas se lhe lancei este desafio é porque achava que a sua colaboração importava. Percebo perfeitamente as suas inquietações, mas acho que são injustificadas. Ninguém é bom juiz em causa própria, mas acho o texto equilibrado, reproduzindo opiniões de diferentes fontes, citando a autoria da questão que lança o debate e deixando as conclusões em aberto para quem lê o artigo. Discordo do pós-título, porque foge à tónica equilibrada do artigo, mas voltaria a escrever tudo da mesma forma.

    Aceite os meus cordiais cumprimentos,

  • Nelson Marques

    Caro Daniel

    Ainda vai a tempo de comprar jornais. Talvez perca esse preconceito e descubra que nem todos os jornais nem todos os jornalistas são iguais.

  • Bruno Figueiredo

    Caro Nelson: Em relação à associação Impresa/AEIOU lamento mas tenho que discordar. Eu conheço a realidade do Expresso uma vez que tenho lá amigos jornalistas, mas para um vulgar leitor é impossível distinguir entre os artigos dos jornalistas freelancers (como me parece ser o seu caso) e os do quadro, logo a associação é pertinente uma vez que pertencem ao mesmo grupo de comunicação. Se bem que não duvido da sua idoniedade, há no entanto que ter especial cuidado com estas associações no futuro.

    Quanto às fontes, as fontes valem o que valem como muito bem diz, mas um bom jornalista deve sempre tentar cruzar várias fontes (quando as tem disponíveis) com vista à imparcialidade. Dito isto, concordo com o Celso no que respeita às grandes lacunas do ComScore no mercado português.

  • Nelson Marques

    Caro Bruno

    Sou, de facto, jornalista freelancer, embora vestindo completamente a camisola do “Expresso”, do qual sou colaborador permanente. Dito isto, nada muda o que disse. Eu percebo porque está ali aquela associação e ele é para mim insultuosa, porque quer dar a entender que há alguma intenção oculta por detrás da inclusão daquele “ranking”. Não há.

    Usei os dados do ComScore porque me pareceu ser o que tinha a metodologia mais viável a nível global. Mais tarde, optou-se por incluir os dados a nível nacional e como a ComScore os tinha fornecido, optou-se por usar dados da mesma fonte. Se não são os mais correctos a nível nacional, lamento o facto. De qualquer forma, ainda não encontrei dados do Netpanel com pesquisas discriminadas por motor de busca. Falo de pesquisas e não de audiências. Ficarei muito grato a quem mas puder indicar, para no futuro não incorrer no mesmo erro.

  • Celso

    Caro Nelson,

    Por ordem de importância.

    É claro que nada disto é pessoal. Considere este post um mero esclarecimento dirigido (com especial interesse) às pessoas que me seguem e por quem eu tenho uma estima naturalmente maior do que os restantes leitores do Expresso. Eu tive o cuidado de mencionar que não nos conhecemos pessoalmente, que respeito o seu trabalho e que não ia fazer uma crítica à sua opinião. Disse-o com honestidade e mantenho-o.

    Discordo no entanto de si quando acha que os meus comentários estão na linha do que foi escrito no artigo. Na minha opinião não estão. O artigo é deliberadamente provocador (como diz), arriscaria dizer até sensacionalista porque não faz uma perspectiva justa entre os problemas da alteração de comportamento dos utilizadores e os inúmeros e inquestionáveis benefícios (e potencial) que a Internet nos deu e nos vai continuar a dar.

    Percebo que o título e sub-título não sejam da sua responsabilidade mas para o efeito isso é-me irrelevante. Aliás, o facto de os títulos não serem seus, e de terem sido escritos com o objectivo de “provocar” (porque vende mais, assumo) são um excelente paralelo entre o tema do artigo e que se faz ainda hoje nos meios tradicionais de comunicação social.

    Em relação à história da ComScore não o quis insultar e se o fiz peço-lhe desde já desculpa. Mas a realidade é que eu não tolero bem, porque é recorrente, erros rudimentares relativamente a factos sobre a Internet em Portugal (ou no mundo). E um ranking sobre audiências em Portugal num artigo central de duas páginas numa publicação como a do Expresso e com objectivos de provocação, enfim, exige-se que ao menos seja fidedigno. E não foi.

    A associação do grupo Impresa ao Expresso e ao AEIOU foi indelicado? Talvez, mas também é factual, não é caso para se sentir insultado, e é importante que os leitores saibam os detalhes do que não salta à vista. E sim, pela posição que ocupo no SAPO, tem todas as razões para me considerar suspeito, admito-o com orgulho. E é precisamente por isso que tentei manter os esclarecimentos num plano objectivo e pouco emocional, talvez não tenha conseguido. Expliquei porque é que a ComScore não é relevante e dei exemplos de ferramentas que o são no nosso mercado (e outras surgiram os comentários também).

    Em suma, o Nelson escreveu um artigo e eu discordo dele. E pelo simples facto de ter citações minhas, que achei com pouco contexto (e percebo os constrangimentos de espaço, etc), senti que devia esclarecer melhor o meu ponto de vista. E fi-lo.

    Não estou irritado nem arrependido, não era essa a mensagem que queria passar. Amanhã aceitarei outros desafios com a maior das naturalidades.

    No hard feelings.

    Ab,
    Celso.

  • Nelson Marques

    Caro Celso

    1) Há uma coisa no jornalismo chamada “ângulo”. Este não era um artigo sobre os prós e contras do uso da Internet. O Celso percebeu bem qual era o ângulo desde o início e basta ler a sua resposta ao meu desafio para entender isso. Não entendo qual a sua estranheza agora. Também disse do artigo do Carr que era sensacionalista? Já agora, leu mesmo o primeiro parágrafo do texto, o único que tem “opiniões” expressas pelo autor do artigo? Há aí e no 3,º parágrafo tantas referências a aspectos positivos como nas suas respostas. O que interessa aqui é que o artigo pretendia responder a uma questão. E fê-lo de forma não muito diferente da que o Celso fez na sua resposta ao meu e-mail.

    2) Sobre o “ranking”, já lhe expliquei que não é um “ranking” de audiências. Tem o meu e-mail quando me quiser enviar um “ranking” que considere fidedigno sobre as PESQUISAS efectuadas por cada motor de busca em Portugal. Até lá, este continuará a ser aquele que conheço. Quem discordar da metodologia, que se queixe à ComScore. Não matem o mensajeiro.

    3) Já agora: o artigo não tem objectivos de provocação. Se o tivesse, não teria gasto outra página a falar do Império Google. Tem objectivos, isso sim, de reflexão. E o tema importa, como o Celso bem admitiu na resposta que me enviou e no post que já antes tinha feito neste espaço.

    4) No hard feelings daqui também, mas, admito, sou uma pessoa emocional. Com orgulho trabalho para o Expresso e com orgulho defendo o meu trabalho, que entendo que serviu o propósito de alertar consciências para um problema bem mais sério que a metodologia da Comscore e a presença ou não do Sapo nessa lista.

    5) Sobre a relação Expresso/aeiou, um dia talvez me explique os “detalhes que não saltam à vista”. Porque se está a insinuar alguma motivação obscura pela apresentação desse “ranking” está a bater à porta errada.

    6) Continuarei à espera dos dados actualizados sobre o número de pesquisas realizadas pelos motores de pesquisa em Portugal.

    7) Não há no corpo do artigo nenhuma referência à estupidez. Havia, por acaso, na sua resposta ao meu desafio. Devia tê-lo citado nesse contexto?

    8) Isto não tem nada de pessoal. Repito, sou uma pessoa emocional, mas compreendo sem perceber muito bem a sua argumentação.

    Um abraço,

    Nelson

  • http://www.danielbarradas.com Daniel Barradas

    Caro Nelson: Não sou preconceituoso em relação ao expresso… no máximo sou em relação aos media em geral. Mas não comprar a versão em papel também se trata de uma escolha pessoal. Entre poder ler noticias online on-the-fly e ter de ir a um quiosque de proposito para comprar e le-las em papel, prefiro o on-line e escolher a informação que leio.

    O meu tempo é escasso e honestamente não o quero perder a ler um jornal diariamente (seja ele qual for). Como muitas outras pessoas, já me bastam as revistas de especialidade com artigos que realmente “preciso” de ler e os livros amontoados (já para não falar da wishlist).

    Em relação ao expresso em si, se realmente veste a camisola como diz, e note-se que eu nada tenho para não acreditar em si enquanto pessoa, então faça uma força para haver um critério de rigor junto dos seus colegas.

    O expresso é (ou era…) visto como uma instituição em portugal e acho que concordará comigo que uma noticia com 3 erros ortográficos é inaceitável. E se fosse só numa… mas é comum abrir uma noticia no expresso e ela ter erros.

    Digo-lhe também, para não pensar que eu sou “preconceituoso” contra o expresso, que ele é o único jornal que eu sigo em portugal, através do twitter, e é dai que eu vou ver as noticias que me suscitam interesse.

    É óbvio que eu não leio as noticias todas mas apenas algumas. Agora numa noite apanhar 3 noticias com erros … é demais.

  • Celso

    Nelson,

    Este é o exemplo do Netpanel, um ranking feito por painel de utilizadores, para o mês de Agosto:

    http://netpanel.marktest.pt/Dados/Dados.aspx?tp=EvSemTopSites_UU

    O serviço específico de pesquisa do SAPO (pesquisa.sapo.pt) aparece lá algures entre o IOL e a Wikipedia.

    O AEIOU não aparece na lista. Inclusive mesmo assim a comparação é injusta porque o AEIOU usa o domínio de topo (aeiou.pt) para o seu serviço de Pesquisa. Ou seja estamos a comparar a Homepage do AEIOU + todos os serviços alojados debaixo de aeiou.pt/* com um único site da rede SAPO.

  • Nelson Marques

    Caro Celso

    Esse painel fala em utilizadores, não em pesquisas realizadas. Suspeito que continuamos sem nos entender. No artigo, só se falavam de pesquisas. Portanto, continuo à espera do tal “ranking” de pesquisas e não de utilizadores. E continua a dar-lhe com o Aeiou. O dado relevante aqui é o do Google, não os outros, que são residuais nas pesquisas.

    Caro Daniel

    O preconceito de que falava era em relação aos jornais, jornalistas e notícias em geral. Todas as generalizações são preconceituosas e a forma como falou denotava um pouco isso. Percebi perfeitamente que, apesar de não comprar jornais, continuava a lê-los e a única coisa que lhe estava a dizer é que não devia pôr todos no mesmo saco. Não tem nada a ver com o “Expresso”. O “Público”, onde também me orgulho de ter trabalhado, mesmo com os erros que possa cometer, não merece ser metido no mesmo saco do “24 horas”, por exemplo. Só isso.

    Quanto aos erros, subscrevo o que diz. Seja em relação ao “Expresso”, seja em relação a qualquer jornal. Não é um problema exclusivo dos jornalistas. Os mecanismos de revisão falham muitas vezes e não deviam falhar. Nada a contestar aí.

    Continue a ler o “Expresso” e outros jornais. No meio do deserto de ideias, erros e notícias sem interesse, encontrará sempre que valerá a pena ter lido.

  • Nelson Marques

    Caro Celso

    O serviço de pesquisa do Sapo aparece, de facto, na lista que me fornece, mas continuamos a falar de audiências. Por muito que lhe custe, ainda não me forneceu qualquer outro “ranking” com a discriminação das pesquisas realizadas por motor de busca. Se o jornalista cometeu um erro assim tão grave ao incluir aquela lista, estou certo que conseguirá arranjar um “ranking” melhor. Provavelmente no Sapo até têm esses dados. Eu, confesso, não os tinha e agi de boa fé, mas continuo disponível para conhecê-los.

  • Bruno Figueiredo

    Caro Nelson:

    Eu não disse que a associação entre Impresa e AEIOU era real, até porque sei que a imparcialidade de um jornalista é das coisas que mais o preocupam, mas a percepção do público leitor será outra.

  • r0m1k4

    O post no firefox esta todo lixado

  • http://franciscocosta.com Francisco Costa

    Meterem o Google Tisp como serviço de acesso à Internet é gravíssimo!

  • Artur Correia

    É absolutamente delicioso que o jornalista Nelson Marques tenha referido o Google TiSP no seu seríissimo artigo sobre a internet e a imbecilidade.
    À pergunta “Está o Google a tornar-nos estúpidos?” a resposta parece-me óbvia: Não! Sucede apenas que os que já eram estúpidos ficam mais estúpidos. E precipitados.
    Eis um dos motivos pelos quais deixei de comprar o Expresso mais ou menos pela altura em que a minha cadela aprendeu a ir à rua.

  • Nelson Marques

    Caro Artur

    O lapso do TiSP é, de facto, lamentável, o que não invalida nada do que está no artigo, que, obviamente, não leu. Quanto ao resto do comentário, está ao nível do seu autor.

  • nelson marques

    @Nelson Marques
    como contactar para saber informações sobre a localização / contacto do Dr. Robert Gorter, reportagem publicada na revista Unica do expresso de 13 Junho 2008.
    Pais desesperados querem contacto

  • Aaaaaaaaaa

    Fiquei completamente burro ao ler este artigo, ao que esta malta chega. Chega a enganar os leitores para promover uma mentira.