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Archive for February, 2009

Pequenos prazeres

February 14th, 2009

O dilema

February 11th, 2009

Ocorreu-me que o maior dilema dos mais obcecados utilizadores do Twitter é quererem twittar que o serviço está em baixo, na oportunidade de dizerem algo de realmente importante durante o dia, talvez a única, e não conseguirem. A sensação deve ser tão frustante que alguns até recorrem ao blog para desabafar. Triste. Ah espera…

Portuguese, Tech stuff

Nas nuvens

February 1st, 2009

CloudsÉ sabido que nós, os humanos, precisamos de referências para evoluirmos, faz parte da nossa natureza e sem elas temos imensa dificuldade em nos orientarmos e ficamos perdidos sem sabemos se estamos no caminho certo. As referências, sejam pessoas, líderes, datas, nomes ou simplesmente coisas, são assim como as bombas de gasolina e os cafés da Mimosa na altura da antiga IC1 que ligava Lisboa ao Algarve quando não havia auto-estrada: sem elas era impossível fazer a viagem.

Na Internet há várias referências ao longo da sua história e quase todas corroboram o meu raciocínio. Uma das mais recentes e mais conhecidas é o fenómeno da Web 2.0. Se o Tim O’Reilly não tinha inventado o nome, não tivesse ele o brilhantismo de constatar que estava em curso uma significativa mudança de comportamento dos utilizadores e de a baptizar e a bradar atempadamente aos sete ventos, e nada de tecnologicamente significativo teria acontecido nos últimos 5 anos, o que seria muito triste. Porque a realidade é que de facto, tecnologicamente falando não houve realmente nenhum “breakthrough”. Mas o que é importante reter é que o simples facto de alguém ter criado um nome e assinalado o momento com um chavão tão “catchy” como Web 2.0 foi o combustível suficiente para fazer explodir uma nova geração de serviços na Internet. Uma simples constatação que estimulou uma evolução e que praticamente criou uma nova indústria de startups e serviços, a dos websites em tons de pastel, com urls terminados em …kr ou ..tr, que usam e abusam do xmlhttprequest (vulgo ajax, outra referência), que têm apis, são “open”, têm um blog e que de uma forma ou de outra se dizem ter características de “social networking” (e vai outra).

As referências são fixes, é seguro dizer. Sem elas não andamos para a frente, e não é sarcasmo, juro.

Isto tudo para me levar ao tema do post: The Cloud, a buzzword do momento. Não há fabricante, fornecedor ou consultora da área que se preze que não tenha hoje uma vincada opinião sobre a clara tendência da migração dos serviços para a Cloud. E aí está uma oportunidade perfeita e a aparecer na melhor altura para potenciar uma nova vaga, vigorosa e revitalizada, de produtos, serviços e projectos para meter as empresas modernas e com olho para o futuro dentro da bem-fadada nuvem.

Mas o que é fascinante para mim e talvez o que distinga esta referência de outras, é que esta é completamente feita de vapor e parece-me servir um único propósito: o dos vendedores. Ou eu sou muito cego ou não há nenhuma ruptura de comportamentos ou tecnologias a acontecer, há simplesmente um tendência linear que não mereceria ser assinalada se não fosse a oportunidade de colocar a malta nas nuvens, só para manter a metáfora. Senão vejamos:

“The Cloud” vem da velha representação nos slides e nas apresentações da Internet, que seria tão complexa e grande para desenhar que se convencionou uma simples núvem aonde tudo estaria, desde o site do museu do louvre à página de entrada de Portugal. O resto torna-se óbvio, hoje temos tudo na Internet, a nossa agenda, as nossas fotos, os vídeos, o blog, saiu tudo do computador, emanciparam-se e foram viver para a nuvem aonde todos os podem ver comodamente em qualquer lado e de qualquer forma. E para suportar esta visão surgiu o “Cloud computing”, que é uma espécie de computador que também vive nos céus.

Só que, ao contrário do que se diz por aí agora, “Cloud computing” é um modelo não é uma tecnologia nem um produto. É uma arquitetura que consiste em utilizar um conjunto de tecnologias que já existem há anos e amadureçam naturalmente: APIs, serviços, a Web e o browser como uma plataforma de aplicações, computação remota e/ou distribuída, os nossos dados e a nossa vida na Internet  (literalmente para alguns). Não há um produto de “Cloud computing” chave na mão e quem vos disser o contrário está a enganar-vos. E justiça seja feita, se alguém merece reconhecimento por anos de advocacia e pelas suas iniciativas que nos permitem hoje conceber este paradígma com clareza e robustez não são certamente os mesmos que hoje se aproveitam da moda.

  • A Amazon através da  AWS disponibiliza produtos como o SimpleDB, o EC2 ou o S3, entre muitos outros, e o seu CTO Werner Vogels é um dos grandes evangelistas e visionários deste modelo. Respect.
  • O Google fez o Google Apps (goste-se ou não), lançou o App Engine, tem uma série de aplicações riquíssimas que mostram claramente que a web como plataforma existe e sempre deram o exemplo ao abrirem APIs à comunidade. Respect.
  • A Big Blue IBM tem tido um papel moderado na adopção deste tipo de arquiteturas, no entanto tem apoiado uma série de projectos Opensource relacionados. Respect.

E depoia hoje qualquer um pode construir a sua própria “Cloud” com a sua  infra-estrutura de tecnologias e serviços baseada exclusivamente em componentes Opensource, a saber:

  • Hadoop, uma espécie de versão Opensource do GFS, implementa MapReduce e pode processar Petabytes de informação.
  • CouchDB, uma base de dados acessível por APIs REST/HTTP/JSON, distribuída e fault-tolerant.
  • Xen, virtualização para todos.
  • E claro, um catálogo de APIs. No SAPO, a título de exemplo, construímos o BUS e o Broker que foram fulcrais para o nosso futuro. Há outras soluções.
  • Adicione-se OpenID e OAuth e uma pitada de Microformatos.

E termino citando o Anton Ego: “Since you’re all out of perspective and no one else seems to have it in this BLOODY TOWN, I’ll make you a deal. You provide the food, I’ll provide the perspective…”.

Ou em Português, não se deixem levar pelo recente hype do “The Cloud”, metam pespectiva nisso, compreendam o que significa e o que está na sua base. Os modelos são isso mesmo, são opções não são verdades absolutas nem inevitáveis. Há multiplos cenários possíveis, construam o vosso gradualmente (e de forma modular) e não se deixem levar pelas “gordas” dos estudos nem pelas “silver bullets” dos fabricantes. You’ll regret.

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