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Archive for March, 2009

Kindle 2 & eBook readers

March 30th, 2009

kindle-2jpgSou proprietário de um Kindle 2 há umas semanas, desde que vim da ETech.

Desde então tenho-o utilizado com alguma frequência, aquela que consigo, mostrei-o a algumas pessoas e tornei-te mais interessado por todo o tema do eBook reading. As pessoas têm-me feito perguntas, se gosto, se é bom, ou qual é o nexo disso, entre outras. Este é um pequeno post que resume 3 semanas de incursão neste universo.

Em primeiro lugar devo dizer que quando começaram a aparecer os eBook readers eu posicionei-me orgulhosamente no perfil de ultra-céptico. Não pelos nobres (mas irrelevantes, para mim) motivos que estão a imaginar, ou porque o cheiro dos livros e tacto das folhas são insubstituíveis, ou porque as prateleiras do escritório querem-se cheias, não, fiquei de pé atrás porque sempre duvidei que a tecnologia actual pudesse substituir a comodidade e a qualidade de um livro em papel, somente. Comodidade pelo acesso rápido e mobilidade dos conteúdos que quero e qualidade porque não quero lixar os olhos enquanto leio, horas a fio.

No entanto a coisa começou a despertar-me algum interesse quando comecei a ler reviews extremamente positivas do Kindle e quando um ou outro amigo decidiu comprar um eBook reader. E com o lançamento do Kindle 2 a coincidir com uma visita minha aos US, adicionem-lhe o factor geek, e lá decidir comprar um.

E estou maravilhado e rendido. Não vou fazer uma review do Kindle, muitas na web, vou só dizer isto:

- Os ecrãs de eink (wikipedia) são de facto muito bons e funcionam tal e qual como são anunciados, isto é, não reflectem e são opacos, são muito nítidos. têm muita resolução, e quanto mais luz lhes incidir melhor é, incluindo a luz solar. E nem  me venham falar da tecnologia LCD, como é boa etc, porque não há comparação possível. Hoje estive umas 2 horas a ler ao sol e acabei não pelo cansaço dos olhos mas porque estava um calor do caraças.

- O peso e o tamanho. “Just about right”, é do tamanho de um livro normal, mais fino e pesa aproximadamente o mesmo.

- O Kindle é proprietário e relativamente fechado e deve ser visto como um instrumento estratégico da Amazon cujo modelo de negócio não é vender eBook readers mas sim vender livros e fechar o círculo do markeplace. Quem procura um reader aberto, cheio de features, opensource com ssh e apt-get então que dê uma vista de olhos nas alternativas, começam a haver muitas. Aliás, surgem modelos novos de fabricantes novos quase todas as semanas, eu diria que estamos a assistir a uma avalanche deste tipo de aparelhos. Dito isto, o DRM da Amazon não me podia incomodar menos.

- Para além dos livros da Amazon, é possível colocar outros eBooks, livres, no Kindle. O que já me incomoda um bocado é que o formato PDFs não é suportado nativamente e tem que ser convertido primeiro por um serviço da Amazon, perdendo uma série de características no que diz respeito a paginação e elementos gráficos.

- Actualmente o Kindle só se vende nos EUA, não é possível comprar um Kindle em Portugal nem é (teoricamente) possível usufruir do serviço da Amazon em mais nenhum País. Os motivos não os conheço, só adivinho que estão relacionados com o time-to-market, direitos de autor, e contratos com operadores móveis.

- A experiencia de abrir um Kindle nos US é fenomenal. Primeiro a embalagem é Apple-grade, depois já vem com a bateria carregada pronto a utilizar, e já traz um livro, uma carta personalizada do Jeff Bezos “Dear Celso, Kindle is an entirely new type of device…” diz. O Kindle está permanentemente ligado à rede EVDO da Sprint (Whispernet) mas o utilizador não tem qualquer relação com a Sprint, faz tudo parte do pacote. Isto significa que podemos compar livros no browser do próprio aparelho e estar a lê-los numa questão de minutos, no meio da praia, ou podemos enviar um livro do PC para o Kindle sem ligar um cabo, e ele auto-magicamente aparece lá. Ou podemos comprar uma assinatura do New York Times e sabemos que as novas edições simplesmente estão no Kindle no momento em que são lançadas. Comodidade.

E mais não digo. O Kindle passou a andar comigo na mochila do laptop em permanência. Termino só uma pequena lista de factos para os mais curiosos:

- Não é possível comprar um Kindle fora dos US mas é possível, uma vez nos US, comprar um Kindle na Amazon com um cartão Europeu e pedir para ser entrega na morada aonde ficarmos. Foi o que fiz. Chegou em 24h ao Hotel aonde estava hospedado.

- Não é possível comprar livros na Amazon com um cartão de crédito que não seja emitido nos US. Eles validam a origem do cartão e levamos com um big “no no” no site. No entanto, há uma ou duas formas engenhosas de dar a volta ao tema e nenhuma delas passa por precisas de um número de segurança social americano (hint). Depois de comprar o livro ele (o ficheiro) fica disponível para download na área de cliente. Os livros em formato digital são substancialmente mais baratos do que a versão impressa. O Outliers custa $15.35 em papel e $9.99 para o Kindle (com a entrega wireless, nos US).

- A componente wireless do Kindle não funciona fora dos US. Em Portugal não há nenhum operador com EVDO, e mesmo que houvesse também não funcionaria porque a Whispernet só existe na Sprint e com a Amazon, nem sequer há um SIM card. Quer isto dizer que estamos agarrados ao PC e ao conector USB. Dito isto, é tudo bastante linear, o Kindle liga-se como uma drive externa, é só despejar os livros (comprados ou livres) lá dentro e voilá.

- A autonomia do bicho é de muitos dias, por dois motivos, primeiro porque graças ao eink a única coisa que gasta energia para além do sistema operativo é a mudança de página, segundo porque tenho o wireless desligado.

- A conversão de PDFs ou documentos Word para o formato Kindle é um serviço gratuito da Amazon e é feito por E-mail. O que se diz na web e que custa $.10US por documento é versão que é entregue wirelessly directamente. Em Portugal não faz sentido. Há também uma série de aplicações desktop para fazerem a conversão de PDFs para um dos formatos suportados.

- Há já uma comunidade considerável de utilizadores geeks de Kindle. O firmware já foi aberto, é um Linux com busybox. É uma questão de tempo até surgirem hacks à séria, eu espero ansiosamente pelo leitor nativo de PDFs.

- O forum de referência para o universo do eBook reading é o MobileRead.

Mais dúvidas, vamos para os comentários.

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VoIP ADSL SAPO/Telepac/Meo & Macs

March 26th, 2009

voip1Há já algum tempo que os clientes ADSL da PT são “brindados” com um número VoIP (ou numeração 30, se preferirem).

Na configuração mais típica o cliente tem tudo configurado no router em casa e só tem que ligar o velho telefone analógio na parte de trás para usufruir do novo número.

Para os mais internautas o SAPO oferece aos utilizadores de windows um cliente de messaging que agrega IM e VoIP na mesma aplicação e aonde também podem utilizar o serviço no PC, é o SAPO Messenger.

Para os geeks que gostam de sofrer e de experimentar umas coisas é possível utilizar um client de VoIP genérico com o nosso serviço, só precisam de saber alguns dados primeiro e basta fazer uma pesquisa para perceber quais são. A aplicação mais popular e mais completa (eu diria overkill) é o X-Lite (gratuita e multi-plataforma).

Mas para Mac não havia realmente nada que me satisfizesse, nada que fosse realmente OSX-grade. O X-Lite é uma aberração em termos de peso e interface e as alternativas fazem tudo menos o que me interessa mais, simplesmente chamadas de voz. Há umas semanas atrás o Eduardo chamou-me à atenção de um pequeno projecto chamado telephone que nasceu no Google code. Brilhante, um client de VoIP para Mac, minimalista, feito em Objective-C e Cocoa e que integra com o ambiente OSX, nomeadamente com o Address Book.

Infelizmente na altura, depois de muito tentarmos não foi possível colocar a aplicação a funcionar com o nosso serviço. Mas recentemente surgiu um update e voilá. Este é o client de VoIP para Mac, ponto final. Aqui ficam os passos para o configurarem com o vosso número 30:

Vão às Prefs, depois às Accounts e adicionem uma conta nova, no Full Name metam o vosso nome (tanto faz), no SIP Address metam +35130xxxxxxx@voip.sapo.pt (subtituam pelo vosso número, e se forem clientes Telepac substituam sapo por telepac), no Registry Server metam voip.sapo.pt, no User Name +35130xxxxxxx e finalmente escrevam a vossa password, não toquem na tab Advanced, não é preciso. Activem o Use this account.

voip2

Depois, na janela principal vão à tab Network. Activem o Use ICE, usem o Outbound Proxy proxy.voip.sapo.pt e o Port é o 5070.

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That’s it. Tudo pronto para fazer e receber chamadas com o vosso novo número 30.

UPDATE: Se tiverem problemas tentem desligar o suporte ICE na tab Network.

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ETech 2009

March 24th, 2009

3370939jpgPassei a última semana em San Jose na ETech, a minha conferência fetiche e o meu retiro anual prolongado da azáfama do SAPO, facto que não deve ter passado despercebido aos meus estimados seguidores do Twitter.

Para os menos atentos a ETech é uma (há quem diga que é *a*) conferência da O’Reilly em grande parte organizada pelo Brady Forrest e apadrinhada pelo mister Tim O’Reilly, é sobre tecnologias emergentes mas não é necessariamente um local aonde se encontre um densidade anormal de geeks. Na realidade os temas abordados são tão vastos que extrapolam a especificidade da Internet e os participantes aparecem de todos os quadrantes, desde a internet, artes, ciência, medicina ou educação. E é esta diversidade e a mistura destas valências todas que torna o evento tão interessante para mim. É uma oportunidade única para “sair da caixa” e ter uma breve visão do que é que está realmente a fervilhar no globo, de ter contacto com o génio inquestionável dos oradores convidados e de masturbar a mente com ideias anormais que dificilmente teria se não saísse do contexto aonde estou inserido durante a maior parte do ano.

Outra característica da ETech de que eu gosto é que os benefícios não nos batem istantaneamente, levam tempo para digerir, só sabemos inquestionavelmente que saímos de lá mais ricos. Uma grande parte dos meus amigos pede-me sempre uma reacção imediata mas eu não a tenho para dar. Faço esta ainda a quente, portanto factual, no avião de regresso a Portugal (sim, isto está há 1 semana na calha à espera de tempo para meter os links nos post).

Este ano, ao contrário dos anteriores, a conferência mudou de San Diego para San Jose. E ainda bem porque já estava francamente farto de 3 anos consecutivos a visitar o Zoo, a comer no Gaslamp district e a fazer compras no Fashion Valley. Para quem não sabe San Jose só é a cidade que alberga praticamente todos os “headquarters” das grandes empresas da nossa área, e é um condensado de startups, empreendedorismo e tecnologia, e fica perto de Silicon Valley a pérola da alta tecnologia na Califórnia.

Assim sendo aproveitei o fim de semana sem compromissos (excepto meter em ordem o bio-relógio, adiantado 8 horas) para alugar um carro e visitar os clássicos, dar umas voltas ao Infinite Loop em Cupertino, fazer uma visita ao Computer History Museum em Mountain View (twit), passar pelo Googleplex e para rematar um passeio de light train até Mountain View em que, só para terem uma ideia,  passa junto aos HQ do Yahoo!, Nasa e Lockhead Martin, too name a few. Risquei uma série de pontos da minha check-list existencial, good.

De volta à ETech, por onde começar?

Em primeiro lugar começo por dizer que uma grande fatia dos temas abordados estiveram directa ou indirectamente ligados à crise que se vive nos Estados Unidos (e que se sente em cada conversa que se tem) e à mudança que o mundo está a atravessar na generalidade. Assim sendo falou-se muito de energias renováveis, de medicina e novas aplicações (gostei particularmente da senhora Christa Hockensmith, com o seu ar de avózinha simpática, mas que faz investigação com explosivos e estuda micro explosões ao nível molecular no tratamento de doenças), e da criação de valor. A Keynote do Tim O’Reilly, “Work on Stuff that Matters” (que pode ser vista aqui, slides aqui) foi (como sempre) particularmente cativante e deu o mote para os restantes dias. Houve dois projectos que me captaram a atenção, um foi o Wattzon que é uma tentativa de medir o impacto energético de cada um de nós com base em dados públicos e em contribuições da “crowd” (e uma API), o outro foi o stand da Powerbeam Inc que tem uma tecnologia de transporte de energia wireless para uso doméstico que começa a ganhar alguma tracção.

O outro tema que predominou (pelo segundo ano consecutivo, diga-se) foi toda a àrea de visualizações e dados. A Stamen esteve em grande com os seus mapas interactivos inovadores e com os trabalhos que andam a fazer, com as formas originais de representação de pontos, padrões e tendências em cima de mapas e que os separam claramente da multidão dos mashups e dos pinos vermelhos em cima dos mapas do Google. Adorei também ver a talk do Aaron Koblin sobre “Making Art with Lasers, Sensors, and the Net”, o criador do famoso vídeo dos Radiohead, House of Cards, que decerto conhecem (vale a pena ver o making of). O homem trouxe parte da equipa e veio armado com o laser Velodyne (que só custa a módica quantia de $75.000 USD), mostrou-nos o portfolio dos seus trabalhos e uma demonstração do laser em acção (twit) (devem surgir vídeos sobre isto mais tarde). O Andrea Vaccari do grupo Senseable City Lab do MIT e uma série de visualizações que mostram comportamentos nas cidades com base em eventos e bases em dados de operadores móveis e fixos, neat stuff.

Robôs, é uma área que está a evoluir muito e que começa a aproximar a ficção da realidade a olhos vistos e a preços cada vez mais acessíveis. Giro, só. (twit)

3339593jpgO DIY, a prototipagem e o opensource hardware tiveram um bom peso também. Gostei particularmente da talk do Peter Semmelhack da Bug Labs, que falou do “crowdsourcing” de R&D de produtos de hardware e da “long-tail of electronics”. O “gang” criador do Arduino são um perfeito exemplo e uma inspiração de como é que 4 pessoas de vários cantos do mundo com uma simples ideia criaram um movimento global à volta da electrónica colaborativa, da “computação física”, dos protótipos e da ligação da internet ao mundo sensorial. O Tom Igoe aproveitou para anunciar em primeira mão o novo Arduino Mega (twit). Ouvi dizer que a talk do Bunnie sobre a China (que também foi feita no Codebits btw) também foi um sucesso. O tutorial da Leah Buechley com as suas T-shirts cantantes com o Arduino Lilypad e da ligação dos tecidos, das roupas, dos sensores e da electrónica criou imenso buzz. Adorei também a sessão do Tarikh Korula, fundador da pequena startup Uncommon projects que desenhou a Purple Pedals, uma bicicleta do Yahoo! que tira fotografias e envia-as para a “nuvem” enquanto anda. E claro, a Make! e a Craft! tinham um salão próprio cheio de gadgets, livros, componentes, kits, projectos DIY, etc.

Esta empresa de NYC, a Uncommon Projects (motto: “Stuff Nobody Else Makes, Made Special”) entrou para o meu radar também. Malta do melhor a queimar neurónios de formas inovadoras, a empresa que eu quereria ter feito se não fizesse o que fiz e fosse o que sou e vivesse aonde vivo. Na ETech Fest tinham mais uma série de projectos em demonstração, todos muito muito loucos, destaco o Fortunebird.

A pérola da semana vai definitivamente para os Siftables. O apresentador desta sessão foi o próprio David Merrill, investigar no MIT Media Lab e que também foi recentemente convidado para falar na TED (video aqui). Um Siftable é um computador, do tamanho de uma pequena bolacha, tem um ecrã OLED, uma série de sensores, APIs e interage e comunica sem fios com outros siftables e/ou com um computador. Eu nem vou tentar descrever o conceito disto nem a sua aplicabilidade, só vos digo duas coisas: 1. surface tables are so 2008. 2. é babante e surpreendente. O grupo de R&D do MIT fez um spin-of e a nova empresa espera comercializar os bichinhos ainda este ano, podem subscrever o blog. Tive a oportunidade de brincar com eles e de falar com David e pronto,  drool, must… have… a set. Com sorte devo ir ao MIT sponsors day em April, quem sabe se…

De resto, das BOFs a que assisti destaco a do Searchmonkey do Yahoo!. Duplamente interessante, primeiro porque tive a oportunidade de conhecer o gestor do produto BOSS e de perceber para onde caminha o projecto (o que me fez pensar muito na vida), e segundo porque o “Bananamaster” Paul Tarjan é um brilhante orador. O Searchmonkey é uma plataforma que o Y! lançou recentemente e que permite a qualquer webmaster produzir um plugin que pode ser usado na pesquisa do Yahoo e que adiciona à página de resultados meta-informação associada (ie: a foto do site, os amigos da pessoa, etc). Tudo isto faz parte do plano maquiavélico da empresa para conquistar a liderança da Web Semântica. O “crawler” já está a catalogar uma brutalidade de microformatos bem conhecidos nas páginas (podem ver um exemplo aqui). Esta é uma boa altura para começarem todos a pensar em adoptar microformatos. O SM, em poucas palavras, é uma espécie de cenoura que o Y! está a dar à comunidade para criar a massa crítica suficiente para passar da catalogação à indexação, ou da teoria à prática, e de materializar talvez pela primeira vez a visão da tal web com uma gigante base de dados. Tudo pode acontecer, claro, inclusive uma tal aquisição lá vinda dos lados de Seattle, mas fico contente por ver que a Big Purple não ficou a dormir à sombra das desgraças (internas e externas) e que tem hoje em mãos a oportunidade de liderar algo importante no futuro próximo e fazer do Google um follower. A ver.

Cheguei a mencionar o chips de RFID que foram distribuidos aos participantes? (aonde é que eu já vi isto?)

Outras das coisas boas da ETech é o ambiente. Passa-se tudo num Hotel (de luxo, diga-se) e tipicamente os participantes estão alojados no mesmo edifício (ou muito perto, depende da bolsa do patrocinador, eu tenho sorte) e o programa começa bem cedo por volta das 8:30 e tem actividades até tarde por volta das 23:00. Embora pareça cansativo, e é, mas há um clima de networking, de proximidade e rotatividade das pessoas tão grande que a coisa transforma-se em energia positiva e adrenalina. Marcou-me especialmente a actuação da Zoë Keating que se tornou num “happening” da ETech: imaginem uma artista cheia de talento, totally geek, que toca violoncelo com a ajuda de um computador e uns pedais, que constrói “loops” à medida que vai tocando e os vai re-misturando acabando por criar uma orquestra de violoncelos. Agora imaginem que o concerto está a ser filmado pelo pelo tal laser Velodyne e que o Aaron Koblin pede à audiência para se levantar, aproximar do palco e fazer uma coreografia para trabalhar tudo depois. Um bocado roto para os standards latino-europeus, eu sei, mas definitivamente marcante. O vídeo deve surgir nos próximos dias.

O Tim O’Reilly aproveitou para anunciar que a Gov 2.0 Summit está confirmada para 9 de Setembro e aparentemente tem um grande backup da presidencia dos US. Transparência, colaboração e governo são temas na ordem do dia nos US. Rui, meu caro, freta lá o avião e leva-os todos para Washington DC, o País não se importa de ficar sem governação durante uns dias, é por uma boa causa. Mais sobre isto noutro post, talvez.

Na 4ª feira à noite houve também uma sessão Ignite (vídeo). Nove apresentações, 5 minutos cada uma, 20 slides, que rodam de 15 em 15 segundos automaticamente e que obrigam o orador a acompanhar o ritmo e a vender o seu projecto ou a sua ideia a uma audiência voraz (e crítica). Já conhecia o conceito mas não sei bem porquê, nunca tinha assistido a uma sessão. Adoro estes formatos de apresentação e de discussão. Pergunto, malta, porque é que não fazemos uma coisa destas em Lisboa? Who’s in?

Um dos projectos que surgiu na Ignite e de que gostei bastante foi o Lab Signific. É uma espécie de concurso de ideias, colaborativo, baseado em cartões virtuais (think twitter e post-its) com rankings de popularidade de ideias e que tem como ponto de partida um mote. O mote na ETech foi “What will you do when space is as cheap and accessible as the Web is today?” (algo que pode bem ser possível daqui a uma década). O outro que me agarrou à cadeira foi a história dos tubos pneumáticos em Paris apresentada pela Molly Wright Steenson (Steampunk Infrastructure, 21st Century Uses, aqui).

Não me posso esquecer que aproveitei para rever uma série de conhecidos, incluindo o Bunnie Huang da Chumby, o grande e único Mitch Altman da Make! (que me deu um efusivo abraço à americana, daqueles que deixa qualquer europeu habituado a um simples e cordial “passou bem e até já” meio embaraçado) e claro a malta do Scratch que também surpreendeu pela positiva a audiência (aparentemente o Scratch já é mais conhecido em Portugal do que nos US, é bom saber que estamos na linha da frente no que diz respeito a bons parceiros).

As tags da ETech foram etech e etech09, vão encontrar imenso material na web social. Algumas apresentações das sessões podem ser encontradas aqui ou no Slideshare. Existem também uma série de vídeos no Youtube e no canal da ETech no blip.tv. As coisas devem ir surgindo, sugere-se a subscrição dos feeds. Fui também guardando aqui uma série de links para referência.

Sugere-se também o feed de twitter da @etech e os posts regulares do O’Reilly Radar.

Pronto aqui fica o sumártio executivo, que também serve de draft para a sessão interna que vou fazer no SAPO. Para o ano há mais.

PS: Também comprei um Kindle 2 por terras americanas, sai um post sobre isto em breve.

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Slides da #momopt

March 3rd, 2009

Ontem, a convite do Vitor Domingos, fiz uma pequena apresentação informal para o primeiro encontro (oficial) do MoMoPT e em formato de “food for thought” sobre a incursão do SAPO no mundo Mobile, como o vemos, como o abordámos e qual é a nossa estratégia (macro). Parabéns pela iniciativa, precisamos de mais coisas destas em .pt. Gostei.

Os slides estão aqui para quem os quiser ver.

Portuguese, Tech stuff