Archive

Archive for the ‘Tech stuff’ Category

Uma década, 10 coisas que desapareceram

January 2nd, 2010

Tenho o arquivo de E-mail bem organizado desde o ano 2000, são já 44Gbytes, antes disso infelizmente tenho pouco, ou porque o perdi ou porque está disperso. Este é um exercício que me parece saudável e interessante de fazer no dia 1 de Janeiro de 2010. Baseando-me apenas na minha INBOX e na minha actividade em 2000, qual era a realidade da Internet há exactamente uma década em 10 pontos?

1. O SAPO, na altura a dar os primeiros passos como Portal era ainda visto como o grande motor de pesquisa nacional em Portugal e fez em ‘99 um acordo com o Google para o fornecimento de resultados de pesquisas na Web, um dos primeiros no mundo, numa altura em que Sergey e Larry eram perfeitos desconhecidos e ninguém dava nada pelo novo projecto de garagem de Stanford, muito antes do IPO em 2004, quando o “Don’t be evil” ainda tinha um significado genuíno e quando o nosso interlocutor “vivia” no centro da engenharia da então pequena empresa e trocávamos emails sobre “null pointers” e funções de C. Poucas pessoas se recordarão do agora gigante, nesta altura. Hoje já não somos parceiros, a nossa relação terminou há um par de anos, e ainda é cedo para falar disto, mas foi uma viagem interessante e a perspectiva que ganhámos deu-nos muita sabedoria.

2. O tráfego de acesso por ISPs ao Portal incluía nomes como Telepac, Netc, Esotérica, Teleweb, IP Global e Oni. O Dialup era rei e 56Kbit/s era a velocidade de ferrari dos modems. O advento da massificação da Banda Larga, do Cabo e do ADSL viria apenas uns 2 anos mais tarde. Os utilizadores toleravam tempos de carregamento das páginas superiores a 10 segundos. Não havia Bittorrents ou protocolos de peer to peer. Vídeo embedded numa página Web era um luxo que a maior parte dos utilizadores não conseguiria sequer ver. Não havia FLV nem um player de Flash instalado em cada computador e o Netscape Navigator ainda tinha 20% de browser share.

3. Receber emails com “attachs” uuencoded inline, sem MIME, (lembram-se do “begin 600″ ?) era ainda perfeitamente natural. A incompatibilidade entre “clients” de E-Mail era uma dura realidade sem uma luz ao fundo do túnel, tal como era um sarilho todo o tema dos charsets e UTF8. Não conseguir abrir um attach, ler um E-mail com os caracteres todos atrofiados ou sem acentos era o pão nosso de cada dia. O meu client de E-mail da altura era o Mutt 0.93.2i, um dos melhores da altura para o nerd como eu. Uma rápida análise ao header X-Mailer do arquivo desse ano mostra outros programas como Pegasus Mail, Outlook Express 4, XFMail, Balsa, Lotus Notes, KMail 1.1, Mozilla Mail (O Thunderbird só chegaria em 2003). Um dos gestores de listas mais usados da altura era o Majordomo

4. Havia uma empresa chamada Milenar que era basicamente o spammer nacional, perdão, líder de soluções de e-Marketing, numa altura em que a legislação sobre troca de mensagens, respeito pela privacidade online e o opt-out eram apenas miragens de uma Internet que viria. Apesar de tudo o Spam era um fenómeno recente e ainda não era visto como um grande problema, tanto que uma grande parte dos “relays” de Mail estavam abertos por omissão e as RBLs ou softwares de Anti-spam praticamente não existiam, para os utilizadores mais experientes o tema resolvia-se com filtros.

5. A Dígito era o Website de tecnologia em Portugal por excelência (archive.org) e o Gildot fazia as delícias dos geeks veteranos de hoje com uma fórmula de sucesso que oscilava entre a informação hard-core, um certo elitismo, um certo culto, uma certa irreverência e muita má língua. O mail.pt era das principais plataformas de E-mail em Portugal, projecto que tive o prazer de lançar com uma série de amigos uns anos antes, e do qual me acabei por afastar. O Cusco (archive.org) era ainda um motor de busca alternativo em Portugal.

6. A Dreamcast era a consola do momento e entrou a matar em Portugal, e preparava uma comunidade de gaming online, via Dialup, chamada Dreamarena que nunca vingou, nem o serviço nem o hardware, a Playstation 2 matou o sonho uns meses mais tarde. O portátil da moda era, por exemplo, um Toshiba Portege 3110 e um desktop era, por exemplo também, um HP Vectra VEi8 P650 com um disco de 8.4GB e 64MB de RAM. E um servidor frontend de topo era um Compaq DL360. O meu ambiente de trabalho no desktop era Linux, Debian, Gnome, X11 e Sawfish e trocavam-se configurações XF86Config entre colegas na esperança de conseguir fazer o driver X funcionar em pleno com o hardware Y, triste.

7. Javascript era uma coisa obscura, até mesmo meio detestada pelos puristas da Web e dos standards, uma espécie de fita-cola utilizada pelos Webdesigners para fazer botões com duas posições ou menus dinâmicos, algo a abater. Ainda mais era erradamente conotada como o Java, o que provocava ainda mais anticorpos. Definitivamente ainda estávamos longe do XHR e do Ajax, ou de antever que se tornaria no grande motor da Web dinâmica e da Internet moderna, possivelmente até mais do que isso.

8. WAP era a tecnologia quente do momento no móvel. Rios e rios de dinheiro e tempo se gastaram em lentos e retrógrados portais WAP que ninguém usava, nem então nem nunca. Já se falava muito em dados móveis (GPRS) e em serviços e conteúdos “killer” para esta plataforma. Em 2000 terá sido talvez o primeiro ano em que se disse “este vai ser o ano do móvel!”, afirmação que se repetiu ano após ano, até 2009. Ridículo pois todos sabem que em 2010 é que o móvel vai explodir.

9. Começou a praga dos POP-UPs na publicidade (mais uma razão para odiar Javascript nessa altura). Usabilidade para a Web era um conceito completamente desconhecido para a vasta maioria dos projectos existentes. Criaram-se definições para banners como Skyscrapper, Leaderboard ou Intersticial. Apareceu o IAB para meter algumas normas e regras no negócio. O Yahoo! era inquestionavelmente o líder da Internet no mundo com um modelo de negócio vencedor baseado em publicidade gráfica e com receitas que cresciam exponencialmente, ano após ano. Não existia publicidade contextualizada nem Adwords.

10. Não havia Web 2.0 nem social networks na Internet, não com a definição que conhecemos hoje. Não havia Hi5, Facebook ou Twitter. Mal havia Instant Messaging, dizia-se que ia ser o “the next big thing” e que iria substituir o E-Mail, e o SAPO instalou o seu primeiro servidor de Jabber. O IRC e a PTNet que ajudei a montar quando ainda estava na UA ainda existiam como forma relevante de comunicação em grupo mas já não era a ferramenta que os novos utilizadores da Internet usavam, já era uma comunidade desligada da realidade, quase underground. Os Forums Web e os WebChats ganhavam alguma expressão. Salvo raras excepções, praticamente não existiam Blogs, perdão Web logs, haviam sim Homepages pessoais.

Tech stuff

Codebits 2009

December 8th, 2009

Acabou.

O fim do Codebits é sempre, ano após ano, um misto de satisfação e tristeza. Satisfação porque correu muito bem e porque nos orgulhamos de ter proporcionado três dias inesquecíveis aos participantes do evento, mas também tristeza porque o que é bom não devia acabar assim tão bruscamente, parece que morreu alguém. Este evento provoca-nos a todos uma espécie de distúrbio bipolar a oscilar entre a hiperactividade criativa e satisfação extrema, e uma quase depressão nostálgica que é estranha, porque só acabou ontem mas parece que foi há mais tempo, porque já temos saudades.

Este ano, por factores diversos, não tivemos a habitual cobertura televisiva do Codebits contudo dei uma série de entrevistas a revistas e jornais. E uma após a outra a questão repetia-se: “Então e quais são as novidades para o Codebits deste ano?”. E eu lá preparei a cassete que serviu o propósito com apenas pequenas variantes, conforme a ocasião. Mas a realidade é que é mesmo difícil explicar a não-geeks o quão bom e interessante o Codebits foi. Como é que se explica ao público em geral que 650 nerds da Internet e arredores com a criatividade incendiada, 3 dias reunidos num museu histórico cheio de oradores de luxo a falarem de tudo um pouco dentro dos grandes temas da tecnologia e da Internet, com muita programação, Arduinos, electrónica, impressoras 3D, máquinas de jogos, televisões 3D, mindstorms, quizes, concertos de música, açúcar, cafeína e pizza, muita largura de banda e eu sei lá que mais, é mil vezes melhor do que a Feira de Inventos de Chaves ? Não se explica, vive-se.

Informaram-me este ano que nos festivais de música ao terceiro ano é que é. Eu não diria tanto em relação ao Codebits mas tenho a certeza de que esta foi a melhor edição de todas. O espaço revelou-se fantástico (embora algo frio, admito), a maior parte dos pontos menos positivos das edições anteriores foram corrigidos, a qualidade dos oradores e dos participantes aumentou, a logística funcionou bem, os parceiros foram 5 estrelas e o ambiente, de uma forma geral, foi muito positivo. Mas se eu tivesse que reduzir o Codebits 2009 a uma única palavra seria “diversidade”. Diversidade porque entre 40 palestras ou “workshops” tivemos todo o tipo de temas ligados à tecnologia: sociais, electrónica e robôs, programação, mobile, web, recrutamento, arte, encriptação, e até “lockpicking” ou yoga. Acho que o queríamos fazer, na fundo, era criar um conjunto de conteúdos que pusesse o pessoal a pensar fora da caixa. Será que conseguimos?

Em relação ao uso do Inglês, só uma palavra para os críticos. Eu e toda a organização estamos-nos a borrifar, para não usar uma palavra mais forte, para a língua em que os oradores, participantes ou convidados falam no evento. E não me venham com a conversa do patriotismo porque é insultuoso, se há na Internet um projecto Português e para Portugueses e que se orgulha disso é o SAPO. No entanto o Codebits é sobre tecnologia, Internet e talento e, embora o evento seja dirigido a Portugueses, as barreiras geográficas e linguísticas não fazem nenhum sentido neste contexto. Juntaram-se a nós, entre oradores e participantes mais de 50 pessoas que não falam a nossa língua e viram-nos e ouviram-nos ao vivo outras tantas, é apenas uma questão de respeito e é prática comum em eventos deste tipo se fale Inglês ou Bilingue para que todos nos possamos entender uns aos outros. Eu respeito que ainda assim hajam pessoas que discordam mas daí até ter que ler coisas tão absurdas chamarem-nos de “tacanhos” ou aos jovens que participaram de “gerações inúteis” ou “anti-patriotas” vai uma grande distância. Para esses, os que não sabem discordar sem insultar, e que normalmente até são os mais iletrados ou frustados de todos, os meus ouvidos são surdos e o meu desprezo absoluto.

E como quase tudo já foi dito pelos blogs ou redes sociais vou acabar o post com algumas curiosidades dos bastidores, aquilo que se sabe menos sobre o Codebits. A foto do lado direito mostra o luxuoso escritório que nos serviu de apoio ao evento, atrás da tela do palco principal.

O Codebits demora quase 6 meses a organizar e é um trabalho de largas dezenas de pessoas, equipas do SAPO, Universidades, PT Comunicações, PT Inovação, da Hipnose e dos imensos parceiros que temos e que nos ajudam. Começa com um conceito e com um orçamento para o ano corrente e com uma apresentação à comissão executiva da PT, para aprovação. Depois tem altos e baixos até ao dia do evento sendo que os últimos 2 meses são absolutamente alucinantes (e stressantes, bom stress no entanto). Ele é o fornecedor de comida que ainda não temos, os bilhetes de avião que nunca mais são emitidos, as licenças da câmara que ainda não chegaram, o orçamento que está a estoirar, os prémios que não existem, o calendário que ainda não está fechado, os projectos SAPO para o Codebits que ainda não estão preparados, o parecer do departamento jurídico que ainda não chegou, eu sei lá, um caos. No fim, na última semana, como por milagre, tudo se compõe, e a coisa acontece.

A comida é um pesadelo. Não julguem que somos obcecados por Pizza (na realidade há uma pessoa que se senta perto de mim que é, mas isso é outra história). Não julguem também que não lemos o feedback dos participantes. Infelizmente não podemos ter qualquer tipo de comida num sítio como aquele em que realizamos o evento. Há questões relacionadas com a higiene, logística e de qualidade que os fornecedores não podem ignorar e é mesmo difícil arranjar alternativas que funcionem e que não inflacionem os custos para valores incomportáveis. É por exemplo impossível ter “hamburgers” no Codebits porque não os podemos cozinhar lá, e porque não há fornecedor que os transporte. Por outro lado também não podemos vender comida no Codebits porque isso exige uma licença específica que não temos.

Há muitas pessoas invisíveis no Codebits e que merecem reconhecimento. O Miguel da Hipnose é uma dessas pessoas, é um verdadeiro geek das visualizações e dos gráficos. Foi ele que fez aquele efeito no ecrã do palco grande e foi também ele que construiu aquela pilha de cubos na entrada com os avatares dos participantes projectados nas faces dos cubos a partir de dois ângulos diferentes e que é uma obra de arte pois envolve programação, projecção e engenharia de imagem, calibragem e muito jeito, tudo menos simples. E também foi ele que fez aquele carrossel nos Prémios SAPO no Campo Pequeno, para quem lá esteve, já agora. O Alexandre é outro amigo do Codebits que não me canso de mencionar. Ele é uma espécie de Mr. Wolf do Pulp Fiction, um “problem solver”, só que melhor, porque para além muito eficiente é extremamente prestável e cordial. É uma daquelas raras e valiosas pessoas que quando diz “não te preocupes, eu trato disso”, trata mesmo e é um descanso. Além disso é ele que por iniciativa própria nos traz castanhas assadas ou pastéis de Belém, e isso é de valor.

A Comsom tem sido, desde a primeira edição, o nosso parceiro no que diz respeito a filmagens e transmissão para a Internet e para o Meo. Este ano aperfeiçoámos ainda mais o processo. As filmagens ficaram impecáveis, com muita qualidade e com uns planos do caraças, especialmente no palco principal. Mais, muitos dos vídeos das “talks” entraram online na ficha do orador em poucas horas graças ao método ultra-eficiente combinado entre o Carlos Casimiro e o João Sil, que consistia em passar as streams de mpeg2 numa “pen” e em fazer o upload imediato para o SAPO Vídeos, o que nos valeu o elogio de muitas pessoas que não puderam vir ao Codebits. O som também ficou com muita qualidade, aprendemos muito nas últimas edições. Para ano só falta uma coisa: tapar os receptores de infra-vermelhos dos gravadores de DVD nos palcos pequenos ou deixar de convidar o Mitch e os seus TV-B-Gones.

O José Castro. Nota para ti queres organizar um evento: arranja um companheiro na organização que te complemente naquilo aonde tu és mais fraco e não o contrário. Eu sou desorganizado por natureza, fervo com alguma facilidade e sou um optimista. O Castro é estupidamente organizado e faz check-lists detalhadas de todas as tarefas e do estado das mesmas, é assustadoramente calmo mas ao mesmo tempo pensa em tudo o que pode correr mal. Por algum motivo é ele quem conduz as entrevistas de emprego no SAPO. Caro, tu foste grande! E por falar nisso, a foto do lado direito é a do Rick Roll colectivo que tivemos a lata de fazer aos nossos participantes, épico.

E agora há o rescaldo. Já estamos com o questionário de satisfação online, vamos ainda lançar um sistema de classificação de cada talk/workshop, vamos fazer várias reuniões com a equipa, vamos produzir um documento interno de conclusões, vamos ler tudo o que se disse na imprensa e/ou nos blogs e redes sociais, vamos convidar muitas equipas a virem falar connosco ao SAPO, não necessariamente aquelas que ganharam, vamos agradecer a todos os parceiros e oradores de forma personalizada e vamos recolher todas as apresentações para colocar online, assim só de memória.

A foto do lado direito é de um jantar de carne (da boa) que alguns membros da organização fizeram logo a seguir à entrega dos prémios no Sábado. Nesse dia, e no espaço de cerca de 3 horas a Hipnose e outros parceiros desmontaram e limparam toda a Cordoaria Nacional e entregaram as chaves como se nada tivesse acontecido lá. Fizeram desaparecer em tempo recorde aquilo que demorou meio ano a organizar e mais de uma semana a montar. Impressionante.

Foi bom, muito bom. Quando a normalidade se torna banal e a excepcionalidade parece normal, isso quer dizer uma coisa, que a fasquia subiu muito. Missão cumprida.

Tech stuff ,

data.gov, dados e Portugal

May 25th, 2009

Impressiona-me como é que os organismos públicos e os seus representantes gastam tanta energia com a discussão, com a análise, com o debate político no fundo em vez de canalizarem esses recursos todos, essa vitalidade, para a execução. Hoje com 36 anos eu já entendo, com alguma dificuldade é certo, que a política é menos um programa de computador e mais um jogo de poker. Há analistas em excesso e executivos em défice. Em Portugal ser político é assim mais ou menos como se um jogador de futebol tivesse a obrigação profissional de comentar os seus próprios jogos para além de maximizar o seu rendimento físico para marcar golos.

Quando não há objectividade não há transparência, por muito que se advogue. E todos sabem que os Portugueses gostam de objectividade: é por isso que quando não há factos, se inventam. A falta de factos resulta numa discussão sem fim entre os que estão no poder, os que estão contra o poder, os jornalistas e os outros agentes, incluindo o povo sempre ávido (não sei bem pelo quê, mas antes isso do que impávido), tudo numa grande taça de maionese. Os desafiantes apanham as coisas pela rama e derivam, e os defesas munem-se com o que podem e teorizam se os factos não forem suficientes, não é que alguém vá verificar de qualquer maneira, o que interessa é discutir.

Após largos meses depois do anúncio eis que chega o dia em que o data.gov é lançado, com pouca coisa é certo mas já dá para ter uma ideia de como vai ser a organização. Infelizmente parece que a concretização passou por um directório de ficheiros e páginas que depois estão alojados em outros sites do governo ao invés de tentarem centralizar os dados e fazerem alguma normalização dos formatos. Os puristas dirão que é assim que deve ser, eu pessoalmente acho que esta abordagem penaliza a utilização directa dos dados e a qualidade do serviço e vai fazer da tarefa de monitorização e manutenção um pesadelo interessante.

Dito isto, esta pode ser uma das medidas mais importantes que a nova administração do governo dos US concretizou até hoje. É com certeza a que mais interesse me despertou, não só porque me considero um ”sucker for data”, a matéria prima dum hacker mas também e acima de tudo porque sofro de uma clareza anormal em relação à grandiosidade desta iniciativa. É claro como a água para mim que um dos factores que mais desacredita qualquer instituição pública é a falta de transparência, mais do que os erros que cometem ou as políticas que não concretizaram ou do que a má imprensa ou opinião pública lhes fazem.

O lançamento do data.gov é também uma boa notícia para Portugal e para o resto do mundo. É que outra coisa que eu aprendi é que o mimetismo na política funciona, especialmente quando o outro lado é o Obama. Agora todos os jornais e todas as televisões vão falar do data.gov, vão-se fazer conferências sobre a iniciativa, vão emergir da multidão os especialistas e vão acontecer coisas, coisas importantes, e essas coisas vão-se tornar mainstream e criar consciência. Em breve estarão reunidas as condições para que outros governos “compreendam” que o proteccionismo dos dados que deviam ser públicos e acessíveis por definição é uma falácia que a médio prazo os prejudica muito mais do que os beneficia.

Antes do data.gov ser lançado apanhei uma discussão interessante num blog sobre se o governo devia ou não, para além de disponibilizar os dados, trabalhar na visualização dos mesmos, isto é, dar-lhes forma, correlaciona-los e apresenta-los de uma forma simples e compreensível para o comum cidadão. Eu digo NÃO, não façam isso por favor. E invoco os dois motivos deste post: 1. A interpretação cabe às pessoas e à colectividade, que farão quase sempre um melhor trabalho do que o governo. 2. Interpretarmos o que produzimos, a não ser que seja para consumo próprio para nos guiarmos, é um sinal de fraqueza e prejudica a transparência. Uma má interpretação pode matar uma boa ideia.

Uma pequena radiografia do que vejo em Portugal:

  • Temos dados que deviam estar públicos e acessíveis mas não estão (podem até ser públicos por lei mas o difícil acesso torna-os na prática inexistentes).
  • Temos alguns acessíveis e bem (embora dispersos)
  • Temos os que estão deliberadamente indisponíveis, às vezes camuflados por visualizações e interpretações parciais dos mesmos.
  • Temos por fim os que estão disponíveis mas são inúteis porque não estão estruturados.

E agora podia dar alguns exemplos que todos conhecemos e que caracterizam bem a nossa realidade mas ia tornar este post pouco construtivo e de críticos e comentadores já o País está cheio e farto. Prefiro ser construtivo, quero acreditar o facto de estarmos mal representa uma oportunidade em vez de um problema, e se for preciso arregaço as mangas aviso já, estou disposto a isso. A matéria prima existe, só é preciso cavar, limpar, esculpir e expor. O potencial é enorme.

Portuguese, Tech stuff , ,

O SAPO com Cartão do Cidadão e OpenID

May 20th, 2009

Cá está:

“Implementámos o login com cartão do cidadão fazendo uso do que já havíamos preparado por forma a aceitar certificados. Foi apenas dar o passo adicional e aí está. Login e/ou registo de utilizadores via Cartão do Cidadão.”

“OpenID. Este era o passo óbvio depois de lançarmos o OpenID provider. Agora é possível fazer login ou registo usando qualquer OpenID.”

Ler o resto no Blog Gestão de Identidades SAPO.

Tech stuff , ,

Stats Facebook em .pt

April 20th, 2009

Inadvertidamente descobri uma pequena API do Facebook, utilizada no wizard de estimativas de publicidade do serviço que permite fazer todo o tipo de queries demográficos à base de dados de utilizadores do Facebook. Decidi queimar 1 hora e fazer um script para extrair os dados. Eis as estatísticas para Portugal:

Total Portuguese users: 188500
Total male users: 88000
Total female users: 95900
Total users from 0-20y: 27380
Total users from 21-30y: 89160
Total users from 31-40y: 49760
Total users with +41y: 24120
Total male users interested in males: 560
Total female users interested in females: 2740

Update, e já agora as mesmas stats para Espanha:

Total Spain users: 4457480
Total male users: 1966680
Total female users: 2390600
Total users from 0-20y: 672140
Total users from 21-30y: 2032400
Total users from 31-40y: 1264840
Total with +41y: 454620
Total male users interested in males: 19760
Total female users interested in females: 132320

Script em PHP para correrem as vossas stats aqui.

Portuguese, Tech stuff , , , ,

Suporte a clientes à maneira!

April 9th, 2009

wikicareSe há algo que cerca de 9 anos de “contexto” PT e mais uns poucos a armar-me em empreendedor me ensinaram é que a parte mais difícil de qualquer grande negócio de serviços para o consumidor  é o suporte aos nossos clientes. Lidar eficazmente com problemas e com pessoas, ou melhor, com pessoas com problemas é um desafio e peras.

Se há equipas que eu respeito são aquelas que se matam por um melhor atendimento e por um melhor suporte aos nossos clientes ou utilizadores. Depois do produto, a nossa ajuda e o nosso apoio são sem sombra para dúvida o segundo factor mais distintivo que podemos ter nos nossos serviços, para o bem e para o mal.

Tudo isto parece óbvio mas do falar ao fazer vai uma grande distância. E é por isso que sinto algum orgulho quando finalmente vejo o projecto Wikicare aberto ao público em geral. É relativamente fácil hoje em dia para uma empresa de telecomunicações perceber que as ferramentas da Internet podem ajudar no relacionamento com os seus clientes mas é substancialmente mais difícil conseguir entender de caras o ecosistema da partilha de informação, e perder o medo da exposição e da crítica pública em prol da transparência e da vontade sincera de prestar um melhor serviço e de apostar na informação.

O Wikicare e o Wikicare TMN são dois projectos em que o SAPO participou, são bases de conhecimento do apoio a clientes do ADSL, Meo e TMN, transformadas numa Wiki e que portanto, para além da consulta e da pesquisa podem ser enriquecidas com o feedback e os cometários dos próprios clientes de uma forma colaborativa. “Think” wikipedia aplicada ao suporte. Mas o que na minha opinião realmente faz a diferença, porque se trata de atitude mais do que tecnologia,  é que a organização teve a coragem de abrir o repositório ao mundo. A partir desta semana os Wikicares podem não só ser consultados pelos nossos clientes mas também pelo público em geral e sabe sempre bem mostrar ao mundo (e à concorrência já agora) o que de melhor se faz cá dentro, sem vergonha, mesmo admitindo que pode ser melhorado.

Portuguese, Tech stuff , , , , , , ,

Kindle 2 & eBook readers

March 30th, 2009

kindle-2jpgSou proprietário de um Kindle 2 há umas semanas, desde que vim da ETech.

Desde então tenho-o utilizado com alguma frequência, aquela que consigo, mostrei-o a algumas pessoas e tornei-te mais interessado por todo o tema do eBook reading. As pessoas têm-me feito perguntas, se gosto, se é bom, ou qual é o nexo disso, entre outras. Este é um pequeno post que resume 3 semanas de incursão neste universo.

Em primeiro lugar devo dizer que quando começaram a aparecer os eBook readers eu posicionei-me orgulhosamente no perfil de ultra-céptico. Não pelos nobres (mas irrelevantes, para mim) motivos que estão a imaginar, ou porque o cheiro dos livros e tacto das folhas são insubstituíveis, ou porque as prateleiras do escritório querem-se cheias, não, fiquei de pé atrás porque sempre duvidei que a tecnologia actual pudesse substituir a comodidade e a qualidade de um livro em papel, somente. Comodidade pelo acesso rápido e mobilidade dos conteúdos que quero e qualidade porque não quero lixar os olhos enquanto leio, horas a fio.

No entanto a coisa começou a despertar-me algum interesse quando comecei a ler reviews extremamente positivas do Kindle e quando um ou outro amigo decidiu comprar um eBook reader. E com o lançamento do Kindle 2 a coincidir com uma visita minha aos US, adicionem-lhe o factor geek, e lá decidir comprar um.

E estou maravilhado e rendido. Não vou fazer uma review do Kindle, muitas na web, vou só dizer isto:

- Os ecrãs de eink (wikipedia) são de facto muito bons e funcionam tal e qual como são anunciados, isto é, não reflectem e são opacos, são muito nítidos. têm muita resolução, e quanto mais luz lhes incidir melhor é, incluindo a luz solar. E nem  me venham falar da tecnologia LCD, como é boa etc, porque não há comparação possível. Hoje estive umas 2 horas a ler ao sol e acabei não pelo cansaço dos olhos mas porque estava um calor do caraças.

- O peso e o tamanho. “Just about right”, é do tamanho de um livro normal, mais fino e pesa aproximadamente o mesmo.

- O Kindle é proprietário e relativamente fechado e deve ser visto como um instrumento estratégico da Amazon cujo modelo de negócio não é vender eBook readers mas sim vender livros e fechar o círculo do markeplace. Quem procura um reader aberto, cheio de features, opensource com ssh e apt-get então que dê uma vista de olhos nas alternativas, começam a haver muitas. Aliás, surgem modelos novos de fabricantes novos quase todas as semanas, eu diria que estamos a assistir a uma avalanche deste tipo de aparelhos. Dito isto, o DRM da Amazon não me podia incomodar menos.

- Para além dos livros da Amazon, é possível colocar outros eBooks, livres, no Kindle. O que já me incomoda um bocado é que o formato PDFs não é suportado nativamente e tem que ser convertido primeiro por um serviço da Amazon, perdendo uma série de características no que diz respeito a paginação e elementos gráficos.

- Actualmente o Kindle só se vende nos EUA, não é possível comprar um Kindle em Portugal nem é (teoricamente) possível usufruir do serviço da Amazon em mais nenhum País. Os motivos não os conheço, só adivinho que estão relacionados com o time-to-market, direitos de autor, e contratos com operadores móveis.

- A experiencia de abrir um Kindle nos US é fenomenal. Primeiro a embalagem é Apple-grade, depois já vem com a bateria carregada pronto a utilizar, e já traz um livro, uma carta personalizada do Jeff Bezos “Dear Celso, Kindle is an entirely new type of device…” diz. O Kindle está permanentemente ligado à rede EVDO da Sprint (Whispernet) mas o utilizador não tem qualquer relação com a Sprint, faz tudo parte do pacote. Isto significa que podemos compar livros no browser do próprio aparelho e estar a lê-los numa questão de minutos, no meio da praia, ou podemos enviar um livro do PC para o Kindle sem ligar um cabo, e ele auto-magicamente aparece lá. Ou podemos comprar uma assinatura do New York Times e sabemos que as novas edições simplesmente estão no Kindle no momento em que são lançadas. Comodidade.

E mais não digo. O Kindle passou a andar comigo na mochila do laptop em permanência. Termino só uma pequena lista de factos para os mais curiosos:

- Não é possível comprar um Kindle fora dos US mas é possível, uma vez nos US, comprar um Kindle na Amazon com um cartão Europeu e pedir para ser entrega na morada aonde ficarmos. Foi o que fiz. Chegou em 24h ao Hotel aonde estava hospedado.

- Não é possível comprar livros na Amazon com um cartão de crédito que não seja emitido nos US. Eles validam a origem do cartão e levamos com um big “no no” no site. No entanto, há uma ou duas formas engenhosas de dar a volta ao tema e nenhuma delas passa por precisas de um número de segurança social americano (hint). Depois de comprar o livro ele (o ficheiro) fica disponível para download na área de cliente. Os livros em formato digital são substancialmente mais baratos do que a versão impressa. O Outliers custa $15.35 em papel e $9.99 para o Kindle (com a entrega wireless, nos US).

- A componente wireless do Kindle não funciona fora dos US. Em Portugal não há nenhum operador com EVDO, e mesmo que houvesse também não funcionaria porque a Whispernet só existe na Sprint e com a Amazon, nem sequer há um SIM card. Quer isto dizer que estamos agarrados ao PC e ao conector USB. Dito isto, é tudo bastante linear, o Kindle liga-se como uma drive externa, é só despejar os livros (comprados ou livres) lá dentro e voilá.

- A autonomia do bicho é de muitos dias, por dois motivos, primeiro porque graças ao eink a única coisa que gasta energia para além do sistema operativo é a mudança de página, segundo porque tenho o wireless desligado.

- A conversão de PDFs ou documentos Word para o formato Kindle é um serviço gratuito da Amazon e é feito por E-mail. O que se diz na web e que custa $.10US por documento é versão que é entregue wirelessly directamente. Em Portugal não faz sentido. Há também uma série de aplicações desktop para fazerem a conversão de PDFs para um dos formatos suportados.

- Há já uma comunidade considerável de utilizadores geeks de Kindle. O firmware já foi aberto, é um Linux com busybox. É uma questão de tempo até surgirem hacks à séria, eu espero ansiosamente pelo leitor nativo de PDFs.

- O forum de referência para o universo do eBook reading é o MobileRead.

Mais dúvidas, vamos para os comentários.

Portuguese, Tech stuff ,

VoIP ADSL SAPO/Telepac/Meo & Macs

March 26th, 2009

voip1Há já algum tempo que os clientes ADSL da PT são “brindados” com um número VoIP (ou numeração 30, se preferirem).

Na configuração mais típica o cliente tem tudo configurado no router em casa e só tem que ligar o velho telefone analógio na parte de trás para usufruir do novo número.

Para os mais internautas o SAPO oferece aos utilizadores de windows um cliente de messaging que agrega IM e VoIP na mesma aplicação e aonde também podem utilizar o serviço no PC, é o SAPO Messenger.

Para os geeks que gostam de sofrer e de experimentar umas coisas é possível utilizar um client de VoIP genérico com o nosso serviço, só precisam de saber alguns dados primeiro e basta fazer uma pesquisa para perceber quais são. A aplicação mais popular e mais completa (eu diria overkill) é o X-Lite (gratuita e multi-plataforma).

Mas para Mac não havia realmente nada que me satisfizesse, nada que fosse realmente OSX-grade. O X-Lite é uma aberração em termos de peso e interface e as alternativas fazem tudo menos o que me interessa mais, simplesmente chamadas de voz. Há umas semanas atrás o Eduardo chamou-me à atenção de um pequeno projecto chamado telephone que nasceu no Google code. Brilhante, um client de VoIP para Mac, minimalista, feito em Objective-C e Cocoa e que integra com o ambiente OSX, nomeadamente com o Address Book.

Infelizmente na altura, depois de muito tentarmos não foi possível colocar a aplicação a funcionar com o nosso serviço. Mas recentemente surgiu um update e voilá. Este é o client de VoIP para Mac, ponto final. Aqui ficam os passos para o configurarem com o vosso número 30:

Vão às Prefs, depois às Accounts e adicionem uma conta nova, no Full Name metam o vosso nome (tanto faz), no SIP Address metam +35130xxxxxxx@voip.sapo.pt (subtituam pelo vosso número, e se forem clientes Telepac substituam sapo por telepac), no Registry Server metam voip.sapo.pt, no User Name +35130xxxxxxx e finalmente escrevam a vossa password, não toquem na tab Advanced, não é preciso. Activem o Use this account.

voip2

Depois, na janela principal vão à tab Network. Activem o Use ICE, usem o Outbound Proxy proxy.voip.sapo.pt e o Port é o 5070.

voip3

That’s it. Tudo pronto para fazer e receber chamadas com o vosso novo número 30.

UPDATE: Se tiverem problemas tentem desligar o suporte ICE na tab Network.

Portuguese, Tech stuff , , , ,

ETech 2009

March 24th, 2009

3370939jpgPassei a última semana em San Jose na ETech, a minha conferência fetiche e o meu retiro anual prolongado da azáfama do SAPO, facto que não deve ter passado despercebido aos meus estimados seguidores do Twitter.

Para os menos atentos a ETech é uma (há quem diga que é *a*) conferência da O’Reilly em grande parte organizada pelo Brady Forrest e apadrinhada pelo mister Tim O’Reilly, é sobre tecnologias emergentes mas não é necessariamente um local aonde se encontre um densidade anormal de geeks. Na realidade os temas abordados são tão vastos que extrapolam a especificidade da Internet e os participantes aparecem de todos os quadrantes, desde a internet, artes, ciência, medicina ou educação. E é esta diversidade e a mistura destas valências todas que torna o evento tão interessante para mim. É uma oportunidade única para “sair da caixa” e ter uma breve visão do que é que está realmente a fervilhar no globo, de ter contacto com o génio inquestionável dos oradores convidados e de masturbar a mente com ideias anormais que dificilmente teria se não saísse do contexto aonde estou inserido durante a maior parte do ano.

Outra característica da ETech de que eu gosto é que os benefícios não nos batem istantaneamente, levam tempo para digerir, só sabemos inquestionavelmente que saímos de lá mais ricos. Uma grande parte dos meus amigos pede-me sempre uma reacção imediata mas eu não a tenho para dar. Faço esta ainda a quente, portanto factual, no avião de regresso a Portugal (sim, isto está há 1 semana na calha à espera de tempo para meter os links nos post).

Este ano, ao contrário dos anteriores, a conferência mudou de San Diego para San Jose. E ainda bem porque já estava francamente farto de 3 anos consecutivos a visitar o Zoo, a comer no Gaslamp district e a fazer compras no Fashion Valley. Para quem não sabe San Jose só é a cidade que alberga praticamente todos os “headquarters” das grandes empresas da nossa área, e é um condensado de startups, empreendedorismo e tecnologia, e fica perto de Silicon Valley a pérola da alta tecnologia na Califórnia.

Assim sendo aproveitei o fim de semana sem compromissos (excepto meter em ordem o bio-relógio, adiantado 8 horas) para alugar um carro e visitar os clássicos, dar umas voltas ao Infinite Loop em Cupertino, fazer uma visita ao Computer History Museum em Mountain View (twit), passar pelo Googleplex e para rematar um passeio de light train até Mountain View em que, só para terem uma ideia,  passa junto aos HQ do Yahoo!, Nasa e Lockhead Martin, too name a few. Risquei uma série de pontos da minha check-list existencial, good.

De volta à ETech, por onde começar?

Em primeiro lugar começo por dizer que uma grande fatia dos temas abordados estiveram directa ou indirectamente ligados à crise que se vive nos Estados Unidos (e que se sente em cada conversa que se tem) e à mudança que o mundo está a atravessar na generalidade. Assim sendo falou-se muito de energias renováveis, de medicina e novas aplicações (gostei particularmente da senhora Christa Hockensmith, com o seu ar de avózinha simpática, mas que faz investigação com explosivos e estuda micro explosões ao nível molecular no tratamento de doenças), e da criação de valor. A Keynote do Tim O’Reilly, “Work on Stuff that Matters” (que pode ser vista aqui, slides aqui) foi (como sempre) particularmente cativante e deu o mote para os restantes dias. Houve dois projectos que me captaram a atenção, um foi o Wattzon que é uma tentativa de medir o impacto energético de cada um de nós com base em dados públicos e em contribuições da “crowd” (e uma API), o outro foi o stand da Powerbeam Inc que tem uma tecnologia de transporte de energia wireless para uso doméstico que começa a ganhar alguma tracção.

O outro tema que predominou (pelo segundo ano consecutivo, diga-se) foi toda a àrea de visualizações e dados. A Stamen esteve em grande com os seus mapas interactivos inovadores e com os trabalhos que andam a fazer, com as formas originais de representação de pontos, padrões e tendências em cima de mapas e que os separam claramente da multidão dos mashups e dos pinos vermelhos em cima dos mapas do Google. Adorei também ver a talk do Aaron Koblin sobre “Making Art with Lasers, Sensors, and the Net”, o criador do famoso vídeo dos Radiohead, House of Cards, que decerto conhecem (vale a pena ver o making of). O homem trouxe parte da equipa e veio armado com o laser Velodyne (que só custa a módica quantia de $75.000 USD), mostrou-nos o portfolio dos seus trabalhos e uma demonstração do laser em acção (twit) (devem surgir vídeos sobre isto mais tarde). O Andrea Vaccari do grupo Senseable City Lab do MIT e uma série de visualizações que mostram comportamentos nas cidades com base em eventos e bases em dados de operadores móveis e fixos, neat stuff.

Robôs, é uma área que está a evoluir muito e que começa a aproximar a ficção da realidade a olhos vistos e a preços cada vez mais acessíveis. Giro, só. (twit)

3339593jpgO DIY, a prototipagem e o opensource hardware tiveram um bom peso também. Gostei particularmente da talk do Peter Semmelhack da Bug Labs, que falou do “crowdsourcing” de R&D de produtos de hardware e da “long-tail of electronics”. O “gang” criador do Arduino são um perfeito exemplo e uma inspiração de como é que 4 pessoas de vários cantos do mundo com uma simples ideia criaram um movimento global à volta da electrónica colaborativa, da “computação física”, dos protótipos e da ligação da internet ao mundo sensorial. O Tom Igoe aproveitou para anunciar em primeira mão o novo Arduino Mega (twit). Ouvi dizer que a talk do Bunnie sobre a China (que também foi feita no Codebits btw) também foi um sucesso. O tutorial da Leah Buechley com as suas T-shirts cantantes com o Arduino Lilypad e da ligação dos tecidos, das roupas, dos sensores e da electrónica criou imenso buzz. Adorei também a sessão do Tarikh Korula, fundador da pequena startup Uncommon projects que desenhou a Purple Pedals, uma bicicleta do Yahoo! que tira fotografias e envia-as para a “nuvem” enquanto anda. E claro, a Make! e a Craft! tinham um salão próprio cheio de gadgets, livros, componentes, kits, projectos DIY, etc.

Esta empresa de NYC, a Uncommon Projects (motto: “Stuff Nobody Else Makes, Made Special”) entrou para o meu radar também. Malta do melhor a queimar neurónios de formas inovadoras, a empresa que eu quereria ter feito se não fizesse o que fiz e fosse o que sou e vivesse aonde vivo. Na ETech Fest tinham mais uma série de projectos em demonstração, todos muito muito loucos, destaco o Fortunebird.

A pérola da semana vai definitivamente para os Siftables. O apresentador desta sessão foi o próprio David Merrill, investigar no MIT Media Lab e que também foi recentemente convidado para falar na TED (video aqui). Um Siftable é um computador, do tamanho de uma pequena bolacha, tem um ecrã OLED, uma série de sensores, APIs e interage e comunica sem fios com outros siftables e/ou com um computador. Eu nem vou tentar descrever o conceito disto nem a sua aplicabilidade, só vos digo duas coisas: 1. surface tables are so 2008. 2. é babante e surpreendente. O grupo de R&D do MIT fez um spin-of e a nova empresa espera comercializar os bichinhos ainda este ano, podem subscrever o blog. Tive a oportunidade de brincar com eles e de falar com David e pronto,  drool, must… have… a set. Com sorte devo ir ao MIT sponsors day em April, quem sabe se…

De resto, das BOFs a que assisti destaco a do Searchmonkey do Yahoo!. Duplamente interessante, primeiro porque tive a oportunidade de conhecer o gestor do produto BOSS e de perceber para onde caminha o projecto (o que me fez pensar muito na vida), e segundo porque o “Bananamaster” Paul Tarjan é um brilhante orador. O Searchmonkey é uma plataforma que o Y! lançou recentemente e que permite a qualquer webmaster produzir um plugin que pode ser usado na pesquisa do Yahoo e que adiciona à página de resultados meta-informação associada (ie: a foto do site, os amigos da pessoa, etc). Tudo isto faz parte do plano maquiavélico da empresa para conquistar a liderança da Web Semântica. O “crawler” já está a catalogar uma brutalidade de microformatos bem conhecidos nas páginas (podem ver um exemplo aqui). Esta é uma boa altura para começarem todos a pensar em adoptar microformatos. O SM, em poucas palavras, é uma espécie de cenoura que o Y! está a dar à comunidade para criar a massa crítica suficiente para passar da catalogação à indexação, ou da teoria à prática, e de materializar talvez pela primeira vez a visão da tal web com uma gigante base de dados. Tudo pode acontecer, claro, inclusive uma tal aquisição lá vinda dos lados de Seattle, mas fico contente por ver que a Big Purple não ficou a dormir à sombra das desgraças (internas e externas) e que tem hoje em mãos a oportunidade de liderar algo importante no futuro próximo e fazer do Google um follower. A ver.

Cheguei a mencionar o chips de RFID que foram distribuidos aos participantes? (aonde é que eu já vi isto?)

Outras das coisas boas da ETech é o ambiente. Passa-se tudo num Hotel (de luxo, diga-se) e tipicamente os participantes estão alojados no mesmo edifício (ou muito perto, depende da bolsa do patrocinador, eu tenho sorte) e o programa começa bem cedo por volta das 8:30 e tem actividades até tarde por volta das 23:00. Embora pareça cansativo, e é, mas há um clima de networking, de proximidade e rotatividade das pessoas tão grande que a coisa transforma-se em energia positiva e adrenalina. Marcou-me especialmente a actuação da Zoë Keating que se tornou num “happening” da ETech: imaginem uma artista cheia de talento, totally geek, que toca violoncelo com a ajuda de um computador e uns pedais, que constrói “loops” à medida que vai tocando e os vai re-misturando acabando por criar uma orquestra de violoncelos. Agora imaginem que o concerto está a ser filmado pelo pelo tal laser Velodyne e que o Aaron Koblin pede à audiência para se levantar, aproximar do palco e fazer uma coreografia para trabalhar tudo depois. Um bocado roto para os standards latino-europeus, eu sei, mas definitivamente marcante. O vídeo deve surgir nos próximos dias.

O Tim O’Reilly aproveitou para anunciar que a Gov 2.0 Summit está confirmada para 9 de Setembro e aparentemente tem um grande backup da presidencia dos US. Transparência, colaboração e governo são temas na ordem do dia nos US. Rui, meu caro, freta lá o avião e leva-os todos para Washington DC, o País não se importa de ficar sem governação durante uns dias, é por uma boa causa. Mais sobre isto noutro post, talvez.

Na 4ª feira à noite houve também uma sessão Ignite (vídeo). Nove apresentações, 5 minutos cada uma, 20 slides, que rodam de 15 em 15 segundos automaticamente e que obrigam o orador a acompanhar o ritmo e a vender o seu projecto ou a sua ideia a uma audiência voraz (e crítica). Já conhecia o conceito mas não sei bem porquê, nunca tinha assistido a uma sessão. Adoro estes formatos de apresentação e de discussão. Pergunto, malta, porque é que não fazemos uma coisa destas em Lisboa? Who’s in?

Um dos projectos que surgiu na Ignite e de que gostei bastante foi o Lab Signific. É uma espécie de concurso de ideias, colaborativo, baseado em cartões virtuais (think twitter e post-its) com rankings de popularidade de ideias e que tem como ponto de partida um mote. O mote na ETech foi “What will you do when space is as cheap and accessible as the Web is today?” (algo que pode bem ser possível daqui a uma década). O outro que me agarrou à cadeira foi a história dos tubos pneumáticos em Paris apresentada pela Molly Wright Steenson (Steampunk Infrastructure, 21st Century Uses, aqui).

Não me posso esquecer que aproveitei para rever uma série de conhecidos, incluindo o Bunnie Huang da Chumby, o grande e único Mitch Altman da Make! (que me deu um efusivo abraço à americana, daqueles que deixa qualquer europeu habituado a um simples e cordial “passou bem e até já” meio embaraçado) e claro a malta do Scratch que também surpreendeu pela positiva a audiência (aparentemente o Scratch já é mais conhecido em Portugal do que nos US, é bom saber que estamos na linha da frente no que diz respeito a bons parceiros).

As tags da ETech foram etech e etech09, vão encontrar imenso material na web social. Algumas apresentações das sessões podem ser encontradas aqui ou no Slideshare. Existem também uma série de vídeos no Youtube e no canal da ETech no blip.tv. As coisas devem ir surgindo, sugere-se a subscrição dos feeds. Fui também guardando aqui uma série de links para referência.

Sugere-se também o feed de twitter da @etech e os posts regulares do O’Reilly Radar.

Pronto aqui fica o sumártio executivo, que também serve de draft para a sessão interna que vou fazer no SAPO. Para o ano há mais.

PS: Também comprei um Kindle 2 por terras americanas, sai um post sobre isto em breve.

Portuguese, Tech stuff

Slides da #momopt

March 3rd, 2009

Ontem, a convite do Vitor Domingos, fiz uma pequena apresentação informal para o primeiro encontro (oficial) do MoMoPT e em formato de “food for thought” sobre a incursão do SAPO no mundo Mobile, como o vemos, como o abordámos e qual é a nossa estratégia (macro). Parabéns pela iniciativa, precisamos de mais coisas destas em .pt. Gostei.

Os slides estão aqui para quem os quiser ver.

Portuguese, Tech stuff