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	<title>Celso Martinho &#187; data.gov</title>
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		<title>data.gov, dados e Portugal</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 20:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Celso Martinho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>
		<category><![CDATA[Tech stuff]]></category>
		<category><![CDATA[dados]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Impressiona-me como é que os organismos públicos e os seus representantes gastam tanta energia com a discussão, com a análise, com o debate político no fundo em vez de canalizarem esses recursos todos, essa vitalidade, para a execução. Hoje com 36 anos eu já entendo, com alguma dificuldade é certo, que a política é menos um programa de computador e mais um jogo de poker. Há analistas em excesso e executivos em défice. Em Portugal ser político é assim mais ou menos como se um jogador de futebol tivesse a obrigação profissional de comentar os seus próprios jogos para além de maximizar o seu rendimento físico para marcar golos.</p>
<p>Quando não há objectividade não há transparência, por muito que se advogue. E todos sabem que os Portugueses gostam de objectividade: é por isso que quando não há factos, se inventam. A falta de factos resulta numa discussão sem fim entre os que estão no poder, os que estão contra o poder, os jornalistas e os outros agentes, incluindo o povo sempre ávido (não sei bem pelo quê, mas antes isso do que impávido), tudo numa grande taça de maionese. Os desafiantes apanham as coisas pela rama e derivam, e os defesas munem-se com o que podem e teorizam se os factos não forem suficientes, não é que alguém vá verificar de qualquer maneira, o que interessa é discutir.</p>
<p>Após largos meses depois do anúncio eis que chega o dia em que o <a href="http://www.data.gov/">data.gov é lançado</a>, com pouca coisa é certo mas já dá para ter uma ideia de como vai ser a organização. Infelizmente parece que a concretização passou por um directório de ficheiros e páginas que depois estão alojados em outros sites do governo ao invés de tentarem centralizar os dados e fazerem alguma normalização dos formatos. Os puristas dirão que é assim que deve ser, eu pessoalmente acho que esta abordagem penaliza a utilização directa dos dados e a qualidade do serviço e vai fazer da tarefa de monitorização e manutenção um pesadelo interessante.</p>
<p>Dito isto, esta pode ser uma das medidas mais importantes que a nova administração do governo dos US concretizou até hoje. É com certeza a que mais interesse me despertou, não só porque me considero um &#8221;sucker for data&#8221;, a matéria prima dum hacker mas também e acima de tudo porque sofro de uma clareza anormal em relação à grandiosidade desta iniciativa. É claro como a água para mim que um dos factores que mais desacredita qualquer instituição pública é a falta de transparência, mais do que os erros que cometem ou as políticas que não concretizaram ou do que a má imprensa ou opinião pública lhes fazem.</p>
<p>O lançamento do data.gov é também uma boa notícia para Portugal e para o resto do mundo. É que outra coisa que eu aprendi é que o mimetismo na política funciona, especialmente quando o outro lado é o Obama. Agora todos os jornais e todas as televisões vão falar do data.gov, <a href="http://www.gov2summit.com/">vão-se fazer conferências</a> sobre a iniciativa, vão emergir da multidão os especialistas e vão acontecer coisas, coisas importantes, e essas coisas vão-se tornar <em>mainstream</em> e criar consciência. Em breve estarão reunidas as condições para que outros governos &#8220;compreendam&#8221; que o proteccionismo dos dados que deviam ser públicos e acessíveis por definição é uma falácia que a médio prazo os prejudica muito mais do que os beneficia.</p>
<p>Antes do data.gov ser lançado apanhei uma <a href="http://www.sunlightlabs.com/blog/2009/04/23/should-datagov-visualize-probably-not/">discussão</a> interessante num blog sobre se o governo devia ou não, para além de disponibilizar os dados, trabalhar na visualização dos mesmos, isto é, dar-lhes forma, correlaciona-los e apresenta-los de uma forma simples e compreensível para o comum cidadão. Eu digo NÃO, não façam isso por favor. E invoco os dois motivos deste post: 1. A interpretação cabe às pessoas e à colectividade, que farão quase sempre um melhor trabalho do que o governo. 2. Interpretarmos o que produzimos, a não ser que seja para consumo próprio para nos guiarmos, é um sinal de fraqueza e prejudica a transparência. Uma má interpretação pode matar uma boa ideia.</p>
<p>Uma pequena radiografia do que vejo em Portugal:</p>
<ul>
<li>Temos dados que deviam estar públicos e acessíveis mas não estão (podem até ser públicos por lei mas o difícil acesso torna-os na prática inexistentes).</li>
<li>Temos alguns acessíveis e bem (embora dispersos)</li>
<li>Temos os que estão deliberadamente indisponíveis, às vezes camuflados por visualizações e interpretações parciais dos mesmos.</li>
<li>Temos por fim os que estão disponíveis mas são inúteis porque não estão estruturados.</li>
</ul>
<p>E agora podia dar alguns exemplos que todos conhecemos e que caracterizam bem a nossa realidade mas ia tornar este post pouco construtivo e de críticos e comentadores já o País está cheio e farto. Prefiro ser construtivo, quero acreditar o facto de estarmos mal representa uma oportunidade em vez de um problema, e se for preciso arregaço as mangas aviso já, estou disposto a isso. A matéria prima existe, só é preciso cavar, limpar, esculpir e expor. O potencial é enorme.</p>
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